Após derrota de Messias, Lula pode surpreender com novo indicado ao STF

A decisão do Senado nesta quarta-feira (29) acabou pegando muita gente de surpresa, viu. A indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) simplesmente não passou, e agora o cenário volta praticamente à estaca zero. Com isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fica livre pra escolher um novo nome — ou até insistir no mesmo, coisa que pouca gente lembra mas é possível sim.

Pela Constituição, essa escolha é uma prerrogativa do presidente da República, e não tem um prazo fixo pra isso acontecer. Ou seja, não existe aquela pressão formal de ter que decidir “pra ontem”, embora politicamente a coisa pese, né. Além disso, também não há nenhum impedimento legal para que o nome rejeitado volte à análise dos senadores. É meio raro, mas tá dentro do jogo.

Agora, pra ocupar uma cadeira no STF, o candidato precisa cumprir alguns critérios básicos. Tem que ser brasileiro nato, ter idade entre 35 e 70 anos e, claro, apresentar reputação ilibada — aquele histórico limpo — além de um notório saber jurídico. Em teoria parece simples, mas na prática, a avaliação passa muito por articulação política também.

No plenário, o resultado foi apertado, mas insuficiente. Messias recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários. Pra ser aprovado, ele precisava de pelo menos 41 votos. Antes disso, até tinha passado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com 16 votos a favor e 11 contra. Ou seja, o sinal ali já não era tão confortável assim.

Um ponto interessante é que essa decisão não é exatamente uma quebra de regra. O Senado tem mesmo essa função de aprovar ou rejeitar nomes indicados pro Supremo. Segundo o consultor legislativo Gilberto Guerzoni, quando há rejeição, cabe ao presidente do Senado comunicar oficialmente o presidente da República. Procedimento padrão, embora pouco comum.

Já o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), saiu em defesa da indicação e fez um discurso mais político, digamos. Ele afirmou que a escolha de ministros não deveria sofrer influência de disputas políticas, o que, convenhamos, é um debate antigo no Brasil. Wagner ainda citou casos anteriores, como os de Kassio Nunes Marques e André Mendonça, indicados no governo passado, cujas trajetórias foram respeitadas.

Segundo ele, Messias preenche todos os requisitos exigidos pela Constituição e classificou o episódio como uma perda maior que apenas uma indicação. Nas palavras dele, quem perdeu foi o pacto constitucional e até o próprio país. Uma fala forte, que mostra como o clima ficou pesado nos bastidores.

Agora, olhando pra história, rejeições desse tipo são bem raras. Desde a criação do STF, lá em 1891, só há registro de casos semelhantes em 1894, durante o governo de Floriano Peixoto. Naquela época, existia um conflito enorme entre o Executivo e o Senado, o que acabou refletindo diretamente nas decisões.

Um caso curioso foi o de Barata Ribeiro, que era médico e acabou sendo rejeitado por não ser jurista. Mesmo com outras indicações feitas depois, incluindo nomes com formação jurídica e até um militar, todas foram barradas. Era outro Brasil, claro, mas mostra que esse tipo de tensão institucional não é exatamente novidade.

De lá pra cá, todos os indicados tinham sido aprovados — até agora. O caso mais apertado foi o de Francisco Rezek, indicado por Fernando Collor, que conseguiu 45 votos. Ou seja, passou por pouco, mas passou.

Com essa nova rejeição, o STF fica momentaneamente com apenas dez ministros. Pode parecer detalhe, mas não é. Isso pode impactar diretamente o andamento dos julgamentos, aumentando o risco de empates e sobrecarregando os outros ministros. E, sinceramente, o Supremo já não é exatamente um lugar com pouca demanda, né.

No fim das contas, o que fica é um clima de incerteza. Lula vai ter que decidir o próximo passo com cuidado, equilibrando critérios técnicos e articulação política. Porque, gostando ou não, uma coisa sempre anda junto com a outra em Brasília.



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