A fala da pastora Helena Raquel chamou atenção e gerou bastante conversa, principalmente entre quem acompanha temas ligados à fé e também a proteção das vítimas. Durante o 41º Congresso Internacional de Missões dos Gideões, realizado em Camboriú, ela foi direta, sem muito rodeio, e tocou num assunto que muita gente prefere evitar — e talvez aí esteja o peso do que ela disse.
No evento, que reuniu milhares de fiéis, a pastora falou que líderes religiosos que cometem crimes precisam sim ser denunciados. Não tem essa de passar pano. Segundo ela, coragem é algo essencial nesse momento, principalmente pra quem vive ou já viveu alguma situação difícil dentro da igreja. E olha… não é fácil mesmo.
“Você precisa ter coragem para sair e fazer a denúncia”, afirmou. E continuou explicando que o primeiro passo pode ser procurar alguém de confiança, um amigo, um parente, ou até mesmo um lugar seguro. Pode parecer simples falando assim, mas na prática a gente sabe que não é bem desse jeito. Muita gente sente medo, vergonha, ou até acha que ninguém vai acreditar.
Depois disso, já nas redes sociais — que hoje viraram meio que extensão do púlpito — Helena reforçou ainda mais o posicionamento. E aí o tom ficou até mais firme, quase como um desabafo. Ela disse que a igreja não pode mais se omitir diante desse tipo de situação. E foi além: deixou claro que não existe justificativa espiritual pra abuso.
“Não existe unção que justifique abuso”, destacou. Essa frase, inclusive, viralizou rápido. Em tempos onde muita coisa vem à tona, inclusive casos antigos sendo revisitados, esse tipo de declaração ganha ainda mais força.
Ela seguiu dizendo que não existe chamado, título ou cargo que autorize qualquer tipo de agressão. Seja pastor, obreiro ou membro comum, se a pessoa fere, oprime ou violenta alguém, isso não pode ser tratado como autoridade espiritual. É pecado. E, como ela mesma frisou, pecado não deve ser escondido ou protegido.
Confesso que esse tipo de fala acaba dividindo opiniões. Tem gente que apoia totalmente, acha que já passou da hora de tocar nesse assunto com mais clareza. Outros, porém, ficam incomodados, dizem que isso pode “manchar” a imagem da igreja. Mas aí fica a pergunta: o que é pior, expor o problema ou fingir que ele não existe?
A pastora também fez um apelo direto pra quem está passando por isso ou conhece alguém nessa situação: não ficar em silêncio. Segundo ela, o silêncio nunca foi a vontade de Deus. E, nesse ponto, ela trouxe algo bem prático, inclusive citando canais de denúncia como o Ligue 100 e o Ligue 180, que são conhecidos no Brasil por atender casos de violência e violações de direitos.
No fim das contas, a mensagem central foi clara, mesmo com toda a repercussão: a igreja precisa voltar a ser um lugar de cura, e não de medo. Um espaço onde as pessoas encontrem acolhimento, não pressão ou dor. Parece básico, né? Mas pelo visto ainda precisa ser dito — e repetido.

E talvez seja justamente por isso que a fala dela repercutiu tanto. Porque, gostando ou não, ela mexe com uma realidade que muita gente conhece, mas poucos tem coragem de falar abertamente.