O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sancionou — mas com alguns vetos — uma nova lei que promete mexer bastante com a forma como certos crimes são punidos no Brasil. A medida endurece penas para delitos como furto, roubo, estelionato, receptação e até o chamado latrocínio, que é o roubo seguido de morte. E não para por aí: o texto também entra no universo digital, tentando acompanhar esse aumento de golpes pela internet que, convenhamos, tá cada vez mais comum nos dias de hoje.
Pra começar, um dos pontos mais comentados foi justamente o veto do presidente em relação ao aumento da pena para casos de roubo com violência que resultem em lesão grave. O Congresso queria elevar essa punição de 7 a 18 anos para algo entre 16 e 24 anos. Lula, no entanto, barrou essa parte. Segundo ele (e sua equipe técnica), isso criaria uma distorção meio estranha, já que a pena mínima desse tipo de roubo ficaria maior até do que a de homicídio qualificado. E aí, né… complica o sistema penal. Agora, deputados e senadores ainda vão decidir se mantêm ou derrubam esse veto, em sessão conjunta — aquele típico “capítulo 2” que a gente sempre vê em Brasília.
A nova lei, publicada no Diário Oficial da União na última segunda-feira (4), vem de um projeto apresentado lá em 2023. O texto passou por várias mãos até ser aprovado, incluindo a relatoria no Senado. Segundo defensores da proposta, a ideia é atualizar a legislação pra realidade atual, onde crimes como roubo de celular ou golpes digitais viraram praticamente rotina. Basta abrir o noticiário ou até o grupo da família no WhatsApp pra ver relatos disso…
Falando em furto, a pena geral aumentou: antes era de 1 a 4 anos, agora passa a ser de 1 a 6 anos de prisão. E se acontecer à noite, a punição pode subir ainda mais, com acréscimo de metade do tempo. Outro ponto que chama atenção é quando o crime afeta serviços essenciais — tipo água, energia ou telecomunicações. Nesses casos, a pena vai de 2 a 8 anos. Ou seja, mexer com esse tipo de estrutura ficou bem mais arriscado.
Também entra nessa lista o furto de fios, cabos e equipamentos usados em energia ou internet, algo que, diga-se de passagem, tem acontecido bastante em várias cidades do país. Até materiais ferroviários e metroviários foram incluídos. Já os golpes virtuais — aqueles feitos com uso de celular ou computador — tiveram aumento de pena também, indo agora de 4 a 10 anos.
E tem mais: furtar celular, notebook, tablet, arma de fogo ou até animal doméstico virou algo com punição mais pesada. Inclusive, essa parte dos pets chamou atenção, porque reflete uma preocupação mais recente com esse tipo de crime que, infelizmente, vem crescendo.
No caso do roubo, a pena geral passou de 4 a 10 anos para 6 a 10 anos. E pode aumentar ainda mais dependendo da situação, especialmente quando envolve eletrônicos ou armas. Já no latrocínio, a pena mínima subiu: antes era de 20 anos, agora começa em 24, podendo chegar a 30.
Outro ponto importante é a receptação — ou seja, comprar ou esconder produto roubado. A pena subiu de 1 a 4 anos para 2 a 6. E se envolver animais ou carne, pode chegar até 8 anos. Ou seja, aquele velho “comprei sem saber” agora pode sair bem caro.
A lei também mexe com quem interfere em serviços de comunicação, como telefone ou rádio. A pena passou a ser de 2 a 4 anos, podendo dobrar em situações mais graves, tipo durante calamidade pública.
E claro, não podia faltar o estelionato, que ganhou novas definições. Uma delas é a chamada “conta laranja”, quando alguém empresta sua conta bancária pra movimentações ilegais — prática que muita gente ainda acha que “não dá nada”. Dá sim. E agora tá mais claro na lei.
Além disso, golpes com clonagem de celular ou computador passam a ter pena de 4 a 8 anos. E uma mudança importante: o Ministério Público pode iniciar ação mesmo sem a vítima formalizar denúncia, o que pode agilizar processos.
No fim das contas, a nova lei tenta acompanhar um Brasil que mudou — e rápido. Resta saber se, na prática, isso vai ajudar mesmo a reduzir esses crimes que tão cada vez mais presentes no dia a dia.