Vídeo: Lula fala pela primeira vez após reunião com Trump e chama atenção com relato

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou com jornalistas nesta quinta-feira (7/5), em Washington, depois de uma reunião que durou mais de três horas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. O encontro movimentou os bastidores políticos e econômicos dos dois países e acabou chamando atenção principalmente pelas declarações feitas logo depois da conversa entre os líderes.

Durante a entrevista, Lula afirmou que cobrou mais participação dos Estados Unidos em investimentos dentro do Brasil. Segundo ele, muitas empresas norte-americanas acabam ficando de fora de licitações importantes, enquanto os chineses ocupam esse espaço com mais rapidez e agressividade comercial.

“Eu falei pra ele que muitas vezes o Brasil abre licitações internacionais e os americanos quase não entram. Quem participa bastante são os chineses”, comentou o presidente brasileiro, em tom direto, mas tentando manter um clima amistoso.

Nos corredores diplomáticos, a avaliação foi de que o encontro serviu para destravar algumas conversas que estavam meio frias nos últimos meses. Integrantes do governo brasileiro disseram que havia expectativa em relação ao comportamento de Trump, principalmente por conta do estilo mais duro do republicano. Mas, segundo ministros presentes, a reunião aconteceu num ambiente considerado positivo.

O chanceler Mauro Vieira explicou que os dois presidentes discutiram vários assuntos ligados ao comércio entre Brasil e Estados Unidos. Entre os temas colocados na mesa estavam tarifas comerciais, exportações e também minerais estratégicos, incluindo as chamadas terras raras, que hoje são vistas como essenciais pra tecnologia e indústria global.

Vieira afirmou que o papo avançou além do tempo previsto inicialmente. De acordo com ele, os presidentes decidiram criar missões e grupos de trabalho em áreas consideradas prioritárias. O ministro ainda destacou que o clima da reunião foi “amistoso” e bem mais produtivo do que muita gente imaginava antes do encontro acontecer.

Já o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, disse que houve avanço nas relações bilaterais em vários setores. Segundo ele, Trump ouviu atentamente os argumentos apresentados pela delegação brasileira e fez elogios ao governo Lula durante parte da conversa.

“Ele ouviu tudo com muita atenção, junto com a equipe dele. Nós apresentamos ideias e ele fez comentários elogiosos em vários momentos”, declarou o ministro.

A reunião entre os dois líderes aconteceu na Casa Branca e teve forte repercussão política. Isso porque Lula e Trump representam campos ideológicos diferentes e, até pouco tempo atrás, muita gente acreditava que um encontro entre os dois seria marcado por tensão. Só que, pelo menos publicamente, o clima foi outro.

Depois da conversa, Trump usou sua rede social, a Truth Social, para comentar sobre o encontro com o presidente brasileiro. O republicano classificou Lula como um líder “dinâmico” e disse que a reunião foi “muito produtiva”. A publicação rapidamente ganhou repercussão internacional e entrou entre os assuntos mais comentados do dia em algumas plataformas.

“Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o dinâmico presidente do Brasil. Discutimos diversos temas, incluindo comércio e tarifas. A reunião foi muito produtiva”, escreveu Trump.

Uma coisa que também chamou atenção foi a mudança de última hora na agenda oficial. Diferente do que estava previsto anteriormente, Lula e Trump não fizeram uma entrevista coletiva juntos após o encontro. Isso gerou especulações entre jornalistas que estavam acompanhando a visita em Washington.

No fim, Lula preferiu conversar separadamente com a imprensa brasileira na embaixada do Brasil. A decisão acabou evitando perguntas mais delicadas em frente aos dois presidentes, principalmente sobre política internacional e as divergências ideológicas entre os governos.

Mesmo assim, integrantes da comitiva brasileira avaliaram que o saldo da viagem foi positivo. Nos bastidores, a aposta agora é que Brasil e Estados Unidos tentem fortalecer acordos econômicos nos próximos meses, principalmente em setores ligados à tecnologia, energia e mineração.



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