O desaparecimento de Ágatha Isabelle, de apenas 6 anos, e Allan Michael, de 4, continua mexendo com a cidade de Bacabal, no interior do Maranhão. Depois de mais de quatro meses sem respostas concretas, a mãe das crianças, Clarice Cardoso, resolveu abrir o coração e revelou novos detalhes sobre o caso que ainda deixa muita gente sem entender o que realmente aconteceu.
Segundo Clarice, uma conversa com Kauã, o terceiro menino que desapareceu junto com os irmãos e acabou sendo encontrado dias depois, trouxe uma nova linha de esperança, mas também aumentou ainda mais a preocupação da família. De acordo com ela, o garoto contou que um homem teria levado Ágatha e Allan Michael. Foi a única vez, segundo a mãe, que ele falou diretamente sobre o desaparecimento das crianças.
Clarice disse que percebeu muito medo no comportamento de Kauã durante a conversa. Por isso, decidiu não continuar insistindo no assunto. Ela explicou que ficou com receio de acabar piorando o estado emocional do menino, que já passou por um trauma enorme. “Ele ficou assustado, dava pra perceber no olhar dele”, contou ela, bastante emocionada ao lembrar da situação.
Ainda segundo a mãe das crianças desaparecidas, Kauã teria dado algumas características do suposto homem para a própria mãe, que posteriormente entregou todas essas informações para a polícia. Mesmo assim, até agora nenhuma resposta concreta teria chegado para a família. A falta de informações revolta parentes e moradores da cidade, que seguem acompanhando o caso praticamente todos os dias pelas redes sociais e programas policiais da região.
Clarice também rebateu novamente a hipótese das crianças terem simplesmente se perdido em uma área de mata. Para ela, essa possibilidade não faz sentido. A mãe afirma que muita gente participou das buscas logo nos primeiros dias e acredita que, se fosse apenas um desaparecimento acidental, os irmãos teriam sido encontrados rapidamente.
“Se eles tivessem só entrado no mato, alguém tinha encontrado no outro dia. Tinha muita gente procurando”, disse ela. A mãe ainda explicou que os filhos não tinham costume de brincar longe de casa, muito menos em regiões de mata fechada. Segundo Clarice, as crianças eram sempre acompanhadas pela família e dificilmente saíam sozinhas.
O caso aconteceu no começo de janeiro e desde então mobiliza equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Civil e também a Marinha. Durante as buscas, áreas enormes foram vasculhadas, incluindo trechos do Rio Mearim. Informações divulgadas pelas autoridades apontam que mais de 180 quilômetros do rio chegaram a ser percorridos pelas equipes de resgate.
Mesmo depois de meses de procura, nenhuma pista concreta sobre o paradeiro de Ágatha e Allan apareceu até agora. As autoridades inclusive descartaram a possibilidade de afogamento, o que aumentou ainda mais o mistério envolvendo o desaparecimento das crianças.
Outro ponto revelado pela mãe é que Kauã atualmente faz acompanhamento psicológico. Por conta disso, Clarice prefere não fazer mais perguntas ao garoto. Ela acredita que qualquer nova abordagem precisa ser feita por profissionais preparados, evitando causar novos traumas ou pressionar emocionalmente a criança.
Enquanto isso, a angústia da família segue aumentando. Em Bacabal, o caso continua sendo um dos assuntos mais comentados entre moradores. Muitas pessoas ainda fazem campanhas nas redes sociais pedindo justiça e cobrando respostas das autoridades.
A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão informou que o inquérito permanece aberto e continua sendo tratado como prioridade. Segundo nota divulgada pela SSP-MA, uma comissão especial acompanha o caso e todas as informações recebidas estão sendo analisadas com rigor.
Mesmo assim, o sentimento da família é de dor e incerteza. Clarice diz que tenta manter a esperança viva todos os dias, apesar do sofrimento constante. “Eu só queria meus filhos de volta”, desabafou a mãe, que segue esperando por qualquer notícia que possa finalmente esclarecer o desaparecimento dos irmãos.