O clima ficou pesado nos bastidores da política depois que veio à tona um suposto áudio envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Na gravação, divulgada pelo site The Intercept Brasil, o parlamentar apareceria pedindo apoio financeiro ao empresário Daniel Vorcaro para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O assunto rapidamente ganhou força em Brasília e acabou movimentando aliados do senador durante toda a quarta-feira (13/5).
Segundo informações apuradas nos bastidores, Flávio reuniu assessores e pessoas próximas para definir qual seria a melhor forma de responder ao vazamento. A preocupação principal seria diminuir o desgaste político causado pela repercussão do caso, principalmente porque o tema caiu como uma bomba entre adversários e também dentro do próprio meio político.
A estratégia montada pelos aliados seria tentar mostrar que pedir patrocínio para uma obra audiovisual não configura crime. Pessoas próximas ao senador defendem que, no período em que começaram as conversas com Vorcaro, ainda não existiam denúncias públicas envolvendo o empresário e os problemas financeiros ligados ao Banco Master.
Mesmo assim, o caso acabou ficando mais delicado depois que detalhes das conversas vieram à público. Um dos diálogos divulgados teria acontecido em 16 de novembro de 2025, praticamente na véspera da primeira prisão de Daniel Vorcaro. Além disso, a conversa teria ocorrido apenas dois dias antes da liquidação do Banco Master determinada pelo Banco Central. Esse detalhe acabou aumentando ainda mais a pressão em cima do senador.
Nos corredores de Brasília, o comentário era que a oposição deve explorar o episódio nas próximas semanas. Isso porque o nome de Flávio já vinha sendo colocado como possível presidenciável do PL para 2026, principalmente após as indefinições envolvendo o futuro político de Jair Bolsonaro. A divulgação do áudio, portanto, chegou num momento considerado bem ruim politicamente.
Aliados do senador também passaram a defender outro argumento: o de que Vorcaro teria ajudado financeiramente produções envolvendo políticos de diferentes correntes ideológicas. Nos bastidores, pessoas ligadas ao parlamentar afirmam que existem informações de que o banqueiro teria patrocinado obras relacionadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ex-presidente Michel Temer.
Só que essa versão acabou sendo negada publicamente. O ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, afirmou ao portal Metrópoles que não houve qualquer tipo de patrocínio ligado a Lula. Já o publicitário Elsinho Mouco, responsável por um documentário sobre Michel Temer, também rebateu as informações.
“Não procede que o Master patrocinou o filme. Na exibição do filme, todos saberão quem foram os nossos patrocinadores”, declarou Elsinho, tentando encerrar as especulações sobre o assunto.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro ainda avalia qual caminho deve seguir para tentar conter a crise. Entre as possibilidades discutidas está a realização de uma entrevista coletiva para esclarecer os fatos diante da imprensa. Outra opção seria divulgar apenas uma nota oficial, numa tentativa de evitar mais desgaste e novas perguntas sobre o caso.
O senador está atualmente em Brasília cumprindo compromissos políticos. A previsão inicial era viajar para o interior de São Paulo no fim da semana, onde teria encontros e agendas voltadas para articulações políticas de olho em 2026. Agora, porém, auxiliares admitem reservadamente que os próximos passos dependerão da repercussão do caso nos próximos dias.
Nas redes sociais, o assunto virou um dos mais comentados entre apoiadores e críticos do clã Bolsonaro. Tem gente tratando o episódio como algo normal dentro do meio cultural e político, enquanto outros avaliam que o caso pode trazer impactos na imagem pública do senador. A verdade é que o tema ainda promete render bastante em Brasília.