PL toma decisão polêmica, ignora Michelle e fecha com Ciro

O clima político no Ceará ganhou mais um capítulo daqueles que movimentam os bastidores de Brasília e também as redes sociais. O diretório estadual do Partido Liberal decidiu declarar apoio à possível candidatura de Ciro Gomes ao governo do estado, numa decisão que acabou contrariando publicamente a posição defendida por Michelle Bolsonaro. O movimento pegou muita gente da direita de surpresa e abriu uma nova crise interna dentro do PL.

Segundo lideranças do partido no Ceará, o apoio a Ciro teria sido uma escolha estratégica. O presidente estadual da sigla afirmou que “não existia outra alternativa” capaz de enfrentar o PT com chances reais de vitória. Mesmo reconhecendo que existem diferenças antigas entre integrantes do PL e Ciro Gomes, ele argumentou que o foco agora seria impedir a continuidade do grupo petista no comando do estado.

Nos bastidores, aliados dizem que a conversa já vinha acontecendo fazia semanas, mas só agora começou a ganhar corpo. E claro, isso gerou desconforto em parte da base bolsonarista, principalmente porque Ciro já fez críticas duras ao ex-presidente Jair Bolsonaro em diferentes momentos dos últimos anos.

As pesquisas mais recentes mostram que Ciro aparece competitivo contra o atual governador Elmano de Freitas, que tenta manter a força do PT no Ceará. Apesar disso, ainda existe dúvida sobre a candidatura realmente sair do papel. Outro nome forte citado nos cenários eleitorais é o do ex-governador Camilo Santana, que continua tendo bastante influência política no estado.

A possível chapa apoiada pelo PL também teria outros nomes conhecidos da política cearense. Entre eles aparece o deputado estadual Alcides Fernandes para disputar o Senado. Ele é pai do deputado André Fernandes, uma das vozes bolsonaristas mais conhecidas do Ceará. Além dele, o ex-deputado Capitão Wagner também estaria sendo incluído nas articulações.

Só que o maior ruído veio mesmo por conta da reação de Michelle Bolsonaro. A ex-primeira-dama defendia que o senador Eduardo Girão fosse lançado ao governo do estado. Para o Senado, o nome apoiado por ela era o da vereadora Priscila Costa. Com o novo acordo costurado pelo PL, os dois devem acabar ficando fora da prioridade do partido.

Nas redes sociais, Michelle voltou a mostrar irritação com a aproximação envolvendo Ciro Gomes. Ela compartilhou novamente um vídeo antigo em que o ex-ministro faz ataques pesados contra Bolsonaro durante uma entrevista ao canal MyNews, ainda em 2019. Na gravação, Ciro chama o ex-presidente de “quase um jumento” e também questiona sua capacidade intelectual.

O trecho rapidamente voltou a circular em páginas políticas e grupos de WhatsApp, reacendendo o embate entre apoiadores dos dois lados. Michelle escreveu que “ainda há pessoas da direita apoiando esse indivíduo”, numa crítica direta ao acordo fechado no Ceará. Ela também acusou Ciro de ter ajudado a fortalecer a narrativa de que Bolsonaro seria “genocida”, expressão que marcou o período da pandemia e continua causando discussão até hoje.

Enquanto isso, integrantes do PL tentam minimizar a crise. Alguns dirigentes avaliam que alianças regionais muitas vezes acabam sendo diferentes das disputas nacionais. Outros, porém, enxergam risco de desgaste com a ala mais fiel ao bolsonarismo raiz. A verdade é que a eleição de 2026 no Ceará já começou pegando fogo antes mesmo das candidaturas serem oficializadas.



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