Pesquisa revela: pessoas de esquerda enfrentam mais problemas de saúde mental, diz estudo

Um levantamento publicado recentemente no periódico científico Journal of Open Inquiry in the Behavioral Sciences acabou gerando bastante repercussão nas redes sociais e também em fóruns políticos dos Estados Unidos. O motivo? A pesquisa sugere que pessoas com pensamentos mais ligados à esquerda apresentam índices maiores de diagnósticos relacionados à saúde mental quando comparadas a indivíduos mais conservadores.

O estudo foi feito pelos pesquisadores Emil Kirkegaard e Meng Hu, com quase mil participantes norte-americanos. Ao invés de perguntar diretamente se a pessoa era democrata, republicana ou algo parecido, os autores decidiram seguir um caminho diferente. Eles aplicaram perguntas sobre valores culturais, sociais e até comportamentais pra identificar em qual lado político os entrevistados se encaixavam.

Entre as questões apresentadas apareciam temas como superpopulação mundial, comportamento homossexual, religião, costumes tradicionais e outros assuntos que costumam causar discussão forte na internet atualmente. Depois disso, os pesquisadores cruzaram as respostas políticas com dados ligados à saúde mental e hábitos pessoais.

Segundo o artigo, diagnósticos como TDAH e Transtorno de Ansiedade Generalizada apareceram com mais frequência entre participantes identificados com posições políticas de esquerda. O dado acabou chamando atenção principalmente porque esse tipo de debate já vem crescendo desde a pandemia, quando aumentaram bastante as conversas sobre ansiedade, depressão e solidão, principalmente entre jovens.

Outro ponto curioso analisado pelos autores envolveu modificações corporais. Pessoas que relataram ter cabelos pintados em cores fortes — azul, rosa, verde ou roxo — apareceram em maior número dentro do grupo considerado progressista. O mesmo aconteceu com piercings e outros estilos considerados fora do padrão mais tradicional.

Os pesquisadores afirmaram que estudos anteriores já haviam encontrado ligação entre tatuagens, piercings e alguns indicadores psicologicos específicos. Entre eles estariam comportamentos autodestrutivos, sofrimento emocional, baixa interação social e até uso mais frequente de substâncias químicas. Claro, isso não significa automaticamente que toda pessoa tatuada ou com piercing tenha algum problema mental, mas os autores dizem existir uma “correlação relevante” observada em diferentes pesquisas ao longo dos anos.

Na interpretação apresentada pelo estudo, indivíduos mais à esquerda tenderiam a valorizar mais a autoexpressão e comportamentos considerados não convencionais. Já pessoas conservadoras demonstrariam maior ligação com ideias de disciplina, autocontrole e estruturas sociais tradicionais.

Esse tipo de pesquisa costuma gerar bastante polêmica, principalmente porque mistura política com comportamento humano. Nas redes sociais, muita gente questiona se fatores como ambiente familiar, religião, situação financeira e influência cultural também não deveriam pesar ainda mais nos resultados.

E não é a primeira vez que um estudo desse tipo aparece. Em 2020, o Pew Research Center divulgou um levantamento mostrando que pessoas ligadas à esquerda relataram mais problemas de saúde mental do que entrevistados conservadores. O mesmo estudo apontava que ambientes religiosos pareciam ter relação com menores índices desses diagnósticos.

Mais recentemente, pesquisadores das universidades Yale University e Tufts University publicaram uma análise afirmando que conservadores americanos tendem a avaliar a própria saúde mental de maneira mais positiva. Entre os fatores citados estariam patriotismo, religiosidade e sensação de pertencimento social.

Outro dado que circulou bastante em 2025 envolveu mulheres jovens. Segundo pesquisadores que analisaram informações familiares coletadas em 2024, mulheres progressistas relataram níveis maiores de tristeza e solidão quando comparadas às conservadoras. Apenas 12% das entrevistadas de esquerda disseram estar totalmente satisfeitas com a vida. Entre as conservadoras, o número chegou a 37%.

Mesmo assim, especialistas lembram que pesquisas desse tipo precisam ser interpretadas com cuidado. Saúde mental é um tema extremamente complexo e envolve dezenas de fatores diferentes. Política pode até influenciar comportamento e visão de mundo, mas dificilmente explica tudo sozinha. Ainda assim, o estudo acabou entrando no centro do debate cultural que domina boa parte das discussões atuais nos Estados Unidos e também em outros países, inclusive no Brasil.



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