Sindicato denuncia supostas regalias a Deolane durante prisão em penitenciária; entenda

A prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra segue dando o que falar e agora ganhou mais um capítulo polêmico. O Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo, conhecido como Sinppenal, denunciou supostas regalias que teriam sido dadas a ela durante o período em que ficou detida na Penitenciária Feminina de Santana, localizada na Zona Norte de São Paulo. A estadia dela no local durou cerca de 14 horas, mas foi tempo suficiente pra gerar uma enorme repercussão entre servidores do sistema prisional e também nas redes sociais.

Segundo as denúncias feitas pelo sindicato, Deolane não teria recebido o mesmo tratamento dado às demais presas da unidade. Entre os privilégios apontados estão uma cela improvisada apenas para ela, chuveiro exclusivo e até uma cama considerada diferente das usadas normalmente pelas outras detentas. A situação acabou revoltando parte dos policiais penais, que afirmam existir desigualdade dentro de um sistema que, em tese, deveria tratar todos da mesma forma.

A Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo, a SAP, confirmou que a custódia da influenciadora aconteceu por determinação da Justiça. Em nota enviada à imprensa, o órgão explicou que Deolane possui registro ativo na Ordem dos Advogados do Brasil, a OAB, e por isso teria direito a ficar em uma sala especial ou local equivalente, como prevê o Estatuto da Advocacia em casos de prisão preventiva.

Mesmo assim, os relatos feitos por servidores ao sindicato chamaram bastante atenção. Policiais penais disseram que a cela teria passado por adaptações de última hora para receber a influenciadora. O espaço, segundo eles, ganhou pintura, pequenos reparos e até instalação de chuveiro elétrico privativo. Também foi relatado que alguns servidores tiveram acesso restrito ao local onde Deolane estava acomodada.

Outro ponto que aumentou ainda mais a revolta dentro da categoria envolve a alimentação. De acordo com relatos enviados ao Sinppenal, Deolane teria recebido refeições destinadas aos próprios agentes penitenciários, enquanto várias presas enfrentam dificuldades diárias dentro da unidade. Alguns funcionários alegaram que existem detentas aguardando atendimento médico há semanas e problemas relacionados até ao fornecimento de medicamentos básicos.

O caso rapidamente tomou conta das redes sociais. Muita gente comparou a situação ao tratamento dado a presos comuns e questionou se pessoas famosas acabam recebendo vantagens por conta da influência ou do poder financeiro. Outros internautas defenderam a advogada, dizendo que ela apenas teve os direitos garantidos pela legislação brasileira e que a responsabilidade seria da própria Justiça.

A prisão aconteceu durante uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital, o PCC. Depois de passar pela unidade de Santana, Deolane foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do estado, considerada uma unidade de segurança mais complexa.

Enquanto isso, o Sinppenal cobra uma investigação oficial sobre o episódio. O sindicato pediu abertura de procedimento disciplinar e encaminhamento do caso para a Corregedoria da Polícia Penal e também para o Ministério Público. A entidade afirma que pode ter ocorrido violação ao princípio da igualdade dentro do sistema prisional paulista.

Outro detalhe que voltou ao debate é a superlotação nas penitenciárias femininas do estado. Tanto a unidade de Santana quanto a de Tupi Paulista operam acima da capacidade, segundo dados divulgados anteriormente pela própria SAP. O tema reacendeu discussões antigas sobre as condições precárias do sistema carcerário brasileiro, algo que frequentemente vira pauta em reportagens e debates políticos.

A defesa de Deolane continua afirmando que ela é inocente. Os advogados pedem prisão domiciliar e argumentam que ela precisa cuidar do filho de 9 anos, além de sustentarem que não existem motivos para mantê-la presa. Até agora, o caso segue cercado de polêmicas, versões diferentes e muita repercussão na internet.



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