A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas já começou a gerar reflexos, pelo menos segundo informações reveladas nesta sexta-feira (29) pela desembargadora Ivana David, do Tribunal de Justiça de São Paulo. Em entrevista para a CNN Brasil, ela afirmou que o preço da cocaína aumentou logo após a medida anunciada pelos norte-americanos. A fala chamou atenção porque mostra que o impacto pode estar acontecendo até antes da decisão entrar oficialmente em vigor, prevista apenas para o dia 5 de junho.
Segundo Ivana, os dados surgiram por meio das trocas de informações entre setores de inteligência e contrainteligência. Ela explicou que quando existe mais pressão policial, fiscalização e dificuldade para circulação da droga, o mercado criminoso reage aumentando os valores cobrados. Em outras palavras, quanto mais complicado fica transportar e negociar entorpecentes, mais caro o produto acaba ficando nas ruas.
A desembargadora comentou que o cenário ainda está sendo acompanhado de perto pelas autoridades brasileiras. Apesar disso, ela deixou claro que, até agora, não conseguiu enxergar vantagens concretas nessa decisão tomada pelos Estados Unidos. A magistrada demonstrou preocupação com o rumo da medida e levantou dúvidas sobre as consequências que isso pode trazer para o Brasil e até para outros países da América do Sul.
Ela comparou a postura do governo americano com atitudes adotadas durante a gestão de Donald Trump em temas ligados a segurança internacional. Segundo Ivana David, os Estados Unidos costumam agir pensando primeiro na própria proteção nacional, mesmo que isso gere tensão diplomática ou impactos em outros lugares do mundo. Na visão dela, existe um receio de que medidas mais agressivas acabem aumentando conflitos ou até colocando civis em risco.
Durante a entrevista, Ivana também relembrou os atentados de 11 de setembro de 2001, quando as Torres Gêmeas foram atingidas em Nova York. Ela disse que aquele episódio mudou completamente a forma como os EUA passaram a enxergar ameaças internacionais. Depois daquele ataque, o país endureceu suas políticas de combate ao terrorismo e ampliou sua atuação fora do território americano.
Na avaliação da desembargadora, foi naquele momento que os Estados Unidos passaram a assumir para si uma espécie de responsabilidade global relacionada à segurança mundial. Ela afirmou que esse comportamento gera preocupação porque abre espaço para intervenções cada vez maiores em assuntos de outros países.
O assunto rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e também no meio político. Muita gente defende que o endurecimento contra facções criminosas pode ajudar no combate ao tráfico internacional. Outros, porém, acreditam que a medida pode provocar ainda mais tensão dentro das organizações criminosas e elevar o nível da violência em regiões já dominadas pelo crime organizado.
Especialistas em segurança pública também acompanham o caso com atenção. Alguns avaliam que chamar facções brasileiras de organizações terroristas pode facilitar cooperação internacional e ampliar punições financeiras. Mas existe quem diga que isso pode gerar efeitos imprevisíveis, principalmente porque o combate ao terrorismo nos EUA permite ações muito mais severas do que aquelas usadas normalmente contra o narcotráfico.
Enquanto isso, o impacto no mercado ilegal das drogas já começa a aparecer. O aumento no valor da cocaína citado por Ivana David seria um dos primeiros sinais de que traficantes estão sentindo a pressão causada pela decisão americana. Mesmo sem detalhes sobre porcentagens ou regiões específicas, a informação acendeu um alerta entre autoridades e investigadores.
Agora, a expectativa fica em torno do dia 5 de junho, quando a classificação deve começar a valer oficialmente. Até lá, o governo brasileiro, órgãos de segurança e integrantes do Judiciário seguem observando os próximos passos dos Estados Unidos e tentando entender quais serão os verdadeiros efeitos dessa medida no combate ao crime organizado.