O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a subir o tom contra o senador Flávio Bolsonaro nesta quinta-feira, durante um evento da Petrobras realizado em Laranjeiras, no Sergipe. O petista criticou duramente o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro depois da repercussão envolvendo a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
Durante o discurso, Lula afirmou que Flávio estaria incentivando uma espécie de interferência americana no Brasil. O presidente chegou até comparar o senador com Joaquim Silvério dos Reis, personagem histórico lembrado por ter entregado os planos da Inconfidência Mineira. A comparação chamou atenção e rapidamente repercutiu nas redes sociais e nos bastidores de Brasília.
“Não tem vergonha na cara de trair a pátria”, disparou Lula diante de apoiadores e autoridades presentes no evento. O presidente ainda disse que Joaquim Silvério dos Reis “ficaria envergonhado” ao ver um político brasileiro buscando apoio estrangeiro contra o próprio país. A fala foi recebida com aplausos no local, mas também gerou reação imediata entre aliados do bolsonarismo.
Nos últimos dias o clima politico voltou a esquentar em Brasília, principalmente depois da decisão anunciada pelo governo americano envolvendo o PCC e o CV. A medida dos Estados Unidos abriu uma nova crise diplomática e aumentou ainda mais a troca de ataques entre petistas e bolsonaristas. Tem gente dentro do Congresso dizendo que o assunto ainda vai render muito.
Lula também citou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, responsável por assinar o comunicado sobre a reclassificação das facções criminosas. Segundo o presidente, Rubio não participou da reunião que ele teve recentemente com Donald Trump nos Estados Unidos.
De acordo com Lula, ele permaneceu cerca de três horas reunido com Trump e entregou documentos relacionados ao combate ao crime organizado. O presidente insinuou que Marco Rubio estaria mais preocupado em ajudar aliados do bolsonarismo do que discutir segurança internacional. A declaração pegou pesado e acabou virando um dos assuntos mais comentados da tarde.
Apesar das críticas ao posicionamento americano, Lula admitiu que tanto o PCC quanto o Comando Vermelho praticam atos de terror dentro das comunidades brasileiras. Segundo ele, as facções espalham medo principalmente nas periferias, onde moradores convivem diariamente com violência, ameaças e disputas pelo tráfico de drogas.
“Eles aterrorizam as famílias, roubam a liberdade do povo e tiram o direito das pessoas viverem em paz”, afirmou o presidente durante o evento da Petrobras. Lula ainda ressaltou que o governo federal vem tentando reforçar o combate ao crime organizado através de novas leis e operações policiais integradas.
Nos bastidores do Planalto, auxiliares avaliam que Lula tentou mostrar firmeza ao mesmo tempo em que evitou aceitar totalmente a narrativa criada pelos Estados Unidos. Integrantes do governo entendem que reconhecer oficialmente as facções brasileiras como terroristas poderia abrir espaço para pressões internacionais mais pesadas futuramente.
O evento em Sergipe, que inicialmente era focado em investimentos da Petrobras, acabou tomando um rumo bastante politico. O assunto dominou os debates e virou destaque nos principais portais de notícia do país. Em um momento onde o Brasil vive tensão politica constante, qualquer fala envolvendo Trump, Bolsonaro ou segurança pública acaba gerando repercussão quase imediata.
Enquanto isso, aliados de Flávio Bolsonaro reagiram dizendo que Lula tenta transformar um tema de segurança em disputa eleitoral antecipada para 2026. Já apoiadores do governo defendem que o presidente apenas respondeu a ataques vindos da oposição e de setores internacionais.
A verdade é que o tema ainda promete novos capitulos. E pelo jeito, essa briga politica entre lulistas e bolsonaristas está longe de acabar.