A situação de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a chamar atenção nos últimos dias. Segundo informações divulgadas em boletins médicos encaminhados ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro apresentou episódios frequentes de soluços durante a última semana, além de relatar dores e desconfortos físicos relacionados ao período de recuperação de uma cirurgia realizada recentemente.
O ex-presidente segue cumprindo prisão domiciliar por motivos humanitários, medida concedida após um período de internação. Há pouco mais de um mês, ele passou por um procedimento cirúrgico no ombro direito e desde então vem sendo acompanhado por uma equipe médica especializada.
De acordo com documentos enviados ao STF, os soluços persistentes foram um dos sintomas observados ao longo dos últimos sete dias. Pessoas próximas que acompanham a rotina do ex-presidente relataram, de forma reservada, que ele tem enfrentado momentos de desconforto e que o quadro inspira cuidados. Embora não haja indicação de agravamento imediato, a situação é monitorada constantemente.
O médico Brasil Ramos Caiado informou que Bolsonaro continua fazendo uso de doses elevadas de medicamentos específicos para controle dos sintomas. Além disso, ele segue uma dieta rigorosa, com baixo teor de acidez, numa tentativa de reduzir possíveis irritações e melhorar sua recuperação.
Segundo o boletim médico, do ponto de vista cardiológico o ex-presidente apresenta estabilidade. Mesmo assim, ele relata episódios de cansaço leve e fadiga quando realiza atividades que exigem esforço moderado. Outro ponto destacado pelos profissionais de saúde é a limitação nos movimentos do ombro operado. Bolsonaro afirma sentir desconforto ao tentar levantar ou movimentar o braço, algo considerado comum dentro do processo pós-cirúrgico, embora ainda esteja exigindo atenção.
Os exames clínicos também apontaram que uma alteração residual identificada anteriormente na base do pulmão esquerdo permanece sem mudanças. O detalhe chama atenção porque, em março deste ano, Bolsonaro precisou ser internado para tratar uma broncopneumonia bacteriana bilateral. Desde então, os médicos acompanham de perto qualquer sinal relacionado ao sistema respiratório.
O fisioterapeuta Kleber Antonio Caiado de Freitas também apresentou um relatório sobre o estado de saúde do ex-presidente. Segundo ele, Bolsonaro continua utilizando uma tipoia para auxiliar na recuperação do ombro e ainda enfrenta limitações importantes de mobilidade. O profissional descreveu que o paciente sente dores e dificuldades ao tentar movimentar o braço de forma mais ampla.
No documento enviado ao Supremo, o fisioterapeuta explicou que as sessões seguem focadas na recuperação dos tecidos afetados pela cirurgia. O tratamento inclui técnicas para liberação da cicatriz cirúrgica, relaxamento muscular e manutenção das condições da musculatura da região do ombro e do pescoço.
Um dos episódios que mais chamou atenção ocorreu durante uma sessão realizada na última quinta-feira. Conforme relatado pelo fisioterapeuta, Bolsonaro apresentou uma crise de soluços persistentes durante o atendimento. O problema acabou prejudicando o rendimento da sessão e limitando parte dos exercícios previstos para aquele dia.
Ainda segundo o relatório, o nível de cansaço e fadiga apresentado pelo ex-presidente impossibilitou a realização de alguns movimentos ativos e passivos que normalmente fazem parte da recuperação do ombro. Diante desse cenário, a recomendação foi manter o acompanhamento fisioterapêutico sem alterações significativas no tratamento.
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde março deste ano, após decisão do ministro Alexandre de Moraes. A medida foi concedida por um período inicial de 90 dias devido às condições de saúde apresentadas na época. O ex-presidente enfrenta problemas médicos recorrentes desde a facada sofrida durante a campanha eleitoral de 2018, episódio que resultou em diversas cirurgias e tratamentos ao longo dos últimos anos.
Enquanto permanece em recuperação, os boletins médicos continuam sendo enviados regularmente às autoridades judiciais responsáveis pelo acompanhamento do caso.