Acusado pela morte da PM Gisele, tenente-coronel é aposentado pela corporação

A Polícia Militar de São Paulo oficializou nesta quarta-feira (10) a aposentadoria do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a própria esposa, a também policial militar Gisele Alves Santana. A decisão foi publicada em decreto e muda a forma como o oficial passará a receber seus vencimentos daqui para frente.

Desde abril, quando foi afastado das funções na corporação por conta das investigações, Geraldo continuava recebendo normalmente sua remuneração por meio da Polícia Militar. Agora, com a formalização da aposentadoria, os pagamentos serão transferidos para a São Paulo Previdência (SPPrev), órgão responsável pelas aposentadorias e pensões dos servidores estaduais.

O documento foi assinado pelo diretor de Inatividade e Pensão Militar, coronel Antonio Thomazelli Júnior. Na prática, a mudança passa a valer a partir de julho. Com isso, o tenente-coronel deixará de receber diretamente pela PM paulista e passará a ter seus proventos administrados pela previdência estadual.

Apesar disso, a situação financeira do oficial ainda pode sofrer alterações. Segundo informações da própria Polícia Militar, caso ele seja condenado pela Justiça Militar e perca oficialmente sua patente, existe a possibilidade de que os pagamentos sejam interrompidos pela SPPrev.

Além do processo criminal relacionado à morte de Gisele, Geraldo responde a um procedimento interno dentro da corporação. Esse processo pode resultar em sua expulsão definitiva da PM. Se isso acontecer e houver perda da patente militar, ele poderá deixar de receber os benefícios vinculados à carreira militar e passar para o regime comum do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O caso ganhou grande repercussão nos últimos meses e continua sendo acompanhado de perto tanto pela opinião pública quanto pelas autoridades. Gisele Alves Santana, de apenas 32 anos, foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro dentro do apartamento onde morava com o marido, no bairro do Brás, região central da capital paulista.

Na ocasião, equipes do Corpo de Bombeiros prestaram os primeiros socorros e a policial foi transportada pelo helicóptero Águia até o Hospital das Clínicas. Apesar dos esforços médicos, ela não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois. O laudo apontou traumatismo cranioencefálico provocado por um disparo de arma de fogo.

Nos primeiros momentos da investigação, o episódio foi registrado como suicídio consumado. Porém, conforme os peritos avançaram na análise da cena e reconstruíram os acontecimentos dentro do imóvel, surgiram dúvidas importantes sobre essa versão.

A Polícia Civil passou então a trabalhar com a hipótese de morte suspeita. Os peritos concluíram que a dinâmica do disparo não era compatível com a narrativa inicial apresentada. A partir dessas evidências, os investigadores apontaram Geraldo Leite Rosa Neto como principal suspeito pela morte da esposa.

Em março, a Polícia Civil pediu a prisão preventiva do oficial. Pouco depois, a Justiça Militar acatou o pedido. O tenente-coronel foi preso no dia 18 de março em um condomínio residencial localizado em São José dos Campos, no interior paulista.

Agora, o processo caminha para uma etapa decisiva. Entre os dias 29 de junho e 3 de julho serão realizadas audiências de instrução que devem reunir 42 testemunhas. O objetivo é definir se o acusado será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Entre as pessoas que prestarão depoimento estão policiais civis, militares, familiares da vítima, amigos próximos, bombeiros que atenderam a ocorrência, vizinhos e funcionários do condomínio onde o casal vivia.

O último dia das audiências será reservado para o interrogatório de Geraldo, que terá a oportunidade de apresentar sua versão dos fatos diante da Justiça.

Um detalhe que chamou atenção é a ausência do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan na lista de testemunhas. Amigo pessoal do tenente-coronel, ele recebeu diversas ligações do militar na manhã em que Gisele foi encontrada ferida.

De acordo com os registros analisados pela investigação, Geraldo tentou contato várias vezes antes de conseguir falar com o magistrado. Os dados apontam ainda que ele realizou outras ligações naquela manhã, incluindo tentativas para o serviço de emergência 190 e contatos com superiores hierárquicos.

Mesmo tendo participado dos acontecimentos daquele dia e comparecido ao apartamento após ser acionado, tanto a acusação quanto a defesa entenderam que o depoimento do desembargador não seria essencial para esclarecer a autoria do crime. Por esse motivo, ele ficou de fora da fase de instrução que pode definir os próximos rumos de um dos casos mais comentados envolvendo integrantes da Polícia Militar de São Paulo nos últimos anos.



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