Quem são os artistas pró-Lula que se hospedaram na embaixada brasileira em Roma

A residência oficial do Ministério das Relações Exteriores, conhecida como residência do Itamaraty em Roma, na Itália, virou assunto nos últimos dias após a divulgação de documentos que mostram quem passou pelo local durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre os hóspedes estão artistas, autoridades e integrantes do governo federal.

Segundo informações reveladas pela coluna da jornalista Andreza Matais, do Metrópoles, os documentos foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e apontam que pelo menos 68 pessoas, além de acompanhantes, utilizaram a residência oficial desde o início da atual gestão.

Entre os nomes que aparecem na lista estão as cantoras Fafá de Belém e Mônica Salmaso, ambas conhecidas por terem declarado apoio a Lula durante a campanha presidencial de 2022. Também passaram pelo imóvel os escritores Marcelo Rubens Paiva e Aline Bei, que participaram de atividades voltadas à divulgação da cultura brasileira no exterior.

O Itamaraty informou que os artistas viajaram por meio do Programa de Diplomacia Cultural, uma iniciativa criada para promover a cultura brasileira em outros países. De acordo com o ministério, as hospedagens estavam ligadas a compromissos oficiais e apresentações culturais realizadas na Itália e em outros locais da Europa.

Um dos casos que mais chamou atenção foi o de Fafá de Belém. A cantora ficou hospedada na residência oficial entre os dias 18 e 22 de maio de 2024. Durante a viagem, ela realizou apresentações em Roma e também em San Marino, acompanhada pelo músico André Mehmari. Os documentos apontam que a atividade recebeu autorização de gastos no valor de 45.122 euros, quantia que hoje corresponde a aproximadamente R$ 273 mil, dependendo da cotação da moeda europeia.

Vale lembrar que, durante a eleição presidencial de 2022, Fafá gravou um vídeo declarando publicamente seu voto em Lula. Na ocasião, ela afirmou que defendia a democracia e a preservação das instituições do país.

Outra artista mencionada nos registros é Mônica Salmaso. Ela e dois músicos de sua equipe ficaram hospedados na residência oficial em outubro de 2024. A apresentação realizada pela cantora teve custo estimado em 7.650 euros, o equivalente a cerca de R$ 51 mil em valores atualizados.

Além dos artistas, diversas autoridades brasileiras utilizaram o imóvel em Roma. Entre elas estão a primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, a ex-presidente Dilma Rousseff, o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, e o ex-presidente do Superior Tribunal Militar, Joseli Camelo.

Dilma Rousseff, que atualmente ocupa a presidência do Novo Banco de Desenvolvimento, instituição ligada ao grupo dos Brics, esteve hospedada na residência entre os dias 22 e 27 de abril de 2024. Um telegrama diplomático anexado aos documentos registrou oficialmente os motivos da viagem.

Outro nome ligado ao Partido dos Trabalhadores que aparece na relação é Gilberto Carvalho. Ex-ministro e atual secretário do Ministério do Trabalho, ele esteve em Roma em abril de 2024 acompanhando a comitiva presidencial durante compromissos realizados no Vaticano.

Os documentos só foram liberados após uma decisão da Controladoria-Geral da União (CGU). A reportagem tentava obter acesso às informações desde fevereiro deste ano, mas inicialmente o Itamaraty negou o pedido. Na época, o órgão alegou que a solicitação era considerada desarrazoada e desproporcional.

Com a divulgação dos registros, o tema passou a gerar debates nas redes sociais e também no meio político. Enquanto alguns defendem que a utilização da residência seguiu critérios institucionais e compromissos oficiais, outros questionam a transparência dos gastos públicos e os critérios adotados para a hospedagem dos convidados.

O caso continua repercutindo e pode render novos desdobramentos à medida que mais informações forem analisadas e divulgadas pelos órgãos responsáveis.



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