Eduardo Bolsonaro ataca Moraes e faz declaração polêmica após parecer da Justiça Italiana

A sexta-feira (12) foi marcada por mais um capítulo da disputa envolvendo nomes ligados ao cenário político brasileiro e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) voltou a fazer críticas públicas ao ministro Alexandre de Moraes após a divulgação de um parecer da Justiça italiana relacionado ao caso da ex-deputada federal Carla Zambelli.

A manifestação de Eduardo aconteceu depois que vieram à tona detalhes da decisão da Corte Suprema de Cassação da Itália, órgão considerado a mais alta instância do Judiciário italiano. Segundo o documento, a atuação de Alexandre de Moraes foi um dos pontos levados em consideração para negar o pedido de extradição de Zambelli, solicitado pelas autoridades brasileiras.

Ao comentar o assunto, Eduardo Bolsonaro adotou um tom duro. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele afirmou que a decisão italiana representaria uma derrota para Moraes. Na avaliação do ex-parlamentar, a sentença vai além da simples negativa de extradição e, segundo ele, teria desmontado argumentos utilizados durante o processo que levou à condenação da ex-deputada.

“Mais um dia muito ruim para o Moraes”, declarou Eduardo. Ele também fez críticas à condução do caso e questionou a fundamentação apresentada pelo ministro durante o andamento do processo. As falas rapidamente repercutiram entre apoiadores e críticos do governo, ampliando o debate nas redes sociais ao longo do dia.

O parecer divulgado pela Justiça da Itália foi citado na sentença que anulou a extradição de Carla Zambelli em 22 de maio. De acordo com o texto, os magistrados italianos entenderam que existiam dúvidas relevantes sobre a garantia do direito de defesa da ex-deputada no Brasil. Além disso, foram apontados questionamentos em relação à imparcialidade do julgamento conduzido por Alexandre de Moraes.

Um dos pontos destacados pelos juízes italianos foi o fato de Moraes ter exercido diferentes funções dentro do mesmo caso. O documento menciona que ele teria atuado simultaneamente em posições que poderiam gerar conflito de interpretação, situação considerada problemática pela Corte. Na visão dos magistrados italianos, esse cenário levantou dúvidas suficientes para impedir a extradição naquele momento.

A decisão também afirma que teria ocorrido uma violação ao direito de defesa, algo que, segundo o entendimento da Corte, comprometeria a legitimidade de todo o processo. Esse foi um dos principais fundamentos usados para justificar a permanência de Zambelli em território italiano.

Carla Zambelli foi condenada pelo STF em maio de 2025. A acusação estava relacionada à invasão de sistemas eletrônicos e à adulteração de documentos ligados ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O caso teve grande repercussão política e jurídica, gerando debates intensos dentro e fora do país.

Pouco tempo depois da condenação, em junho de 2025, a ex-deputada deixou o Brasil. Inicialmente viajou para os Estados Unidos e, posteriormente, seguiu para a Itália, país onde possui cidadania. A mudança acabou dificultando os procedimentos legais para seu retorno ao território brasileiro.

Em 2026, Zambelli chegou a ser presa preventivamente pelas autoridades italianas. No entanto, a situação mudou após a análise definitiva do pedido de extradição. Com a negativa da Justiça italiana, ela foi colocada em liberdade no mês de maio.

O caso continua gerando discussões tanto no Brasil quanto na Europa. Especialistas em direito internacional avaliam que decisões desse tipo costumam provocar debates sobre soberania, garantias constitucionais e cooperação entre países. Enquanto isso, a repercussão política segue forte, especialmente entre aliados e adversários de Alexandre de Moraes, transformando o episódio em mais um tema de grande destaque no noticiário nacional.



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