Blitz da PM termina com apreensão de arma de fogo de Jair Bolsonaro no DF

A apreensão de uma arma registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro movimentou os bastidores políticos de Brasília nesta semana. O caso aconteceu na noite de segunda-feira (15), durante uma blitz de rotina realizada pela Polícia Militar do Distrito Federal na região do Pistão Norte, em Taguatinga.

Segundo informações divulgadas pelas autoridades, o armamento estava com um sargento do Exército Brasileiro identificado como Estácio, que afirmou atuar junto ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Durante a abordagem, os policiais verificaram a documentação apresentada pelo militar e constataram que a arma não estava registrada em seu nome, mas sim em nome de Jair Bolsonaro.

A situação chamou atenção dos agentes, mesmo com o militar possuindo porte funcional. Diante da circunstância, ele foi encaminhado para a 21ª Delegacia de Polícia, localizada no Pistão Sul, onde prestou esclarecimentos sobre o caso.

Em depoimento, o sargento explicou que havia retirado a arma temporariamente para realizar um reparo mecânico. De acordo com sua versão, o armamento apresentava uma falha considerada simples, relacionada ao percussor, peça fundamental para o funcionamento da arma.

Ainda conforme relatado pelo militar, a retirada teria ocorrido na própria segunda-feira e a intenção era devolver o equipamento já nesta terça-feira (16), após a conclusão do conserto. A explicação foi registrada pelas autoridades e agora fará parte da investigação conduzida pela Polícia Civil.

Mesmo assim, a ocorrência não foi encerrada no local. Como a arma estava registrada em nome de outra pessoa, os policiais optaram por apreender o armamento até que toda a situação seja devidamente analisada. A Polícia Civil deverá verificar se houve alguma irregularidade no transporte da arma, na posse do equipamento e também na documentação apresentada pelo integrante do GSI.

O caso ganhou ainda mais repercussão devido ao atual momento vivido por Bolsonaro. O ex-presidente cumpre prisão domiciliar após condenação determinada pelo Supremo Tribunal Federal. A decisão ocorreu depois que ele foi condenado por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, além de danos ao patrimônio público.

Bolsonaro iniciou o cumprimento da pena em novembro de 2025. Em um primeiro momento, permaneceu sob custódia em instalações ligadas à Polícia Federal. Posteriormente, foi transferido para uma Sala de Estado-Maior localizada no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal.

Neste ano, a defesa do ex-presidente voltou a apresentar pedidos relacionados às suas condições de saúde. Em março, Bolsonaro precisou ser internado após sofrer um episódio de mal-estar que resultou em um quadro de broncopneumonia aspirativa. O atendimento ocorreu no Hospital DF Star, em Brasília.

Os advogados argumentaram que ele necessitava de acompanhamento médico constante e acesso rápido a atendimento especializado caso surgissem novas complicações. Relatórios médicos anexados ao processo apontaram que o quadro estava controlado, mas exigia monitoramento contínuo.

Diante dessas informações, a Procuradoria-Geral da República apresentou parecer favorável ao pedido da defesa. Ao analisar o caso, o ministro Alexandre de Moraes entendeu que, embora o sistema prisional estivesse oferecendo assistência adequada, existiam razões excepcionais para permitir o cumprimento da pena em casa por tempo determinado.

A prisão domiciliar foi estabelecida inicialmente pelo prazo de 90 dias. Durante esse período, Bolsonaro deve permanecer em sua residência utilizando tornozeleira eletrônica. As regras impostas também incluem restrições severas de comunicação, proibindo o uso de celular, telefone e outros meios de contato externo.

Caso alguma das determinações judiciais seja descumprida, o benefício poderá ser revogado. Nessa hipótese, existe a possibilidade de retorno ao regime fechado, conforme previsto na decisão judicial. Enquanto isso, a investigação sobre a arma apreendida segue em andamento e deverá esclarecer se houve ou não qualquer irregularidade envolvendo o armamento registrado em nome do ex-presidente.



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