Monique Medeiros viveu momentos de terror após tentativa de homicídio em presídio

A defesa de Monique Medeiros voltou a chamar atenção para os episódios vividos por ela durante o período em que esteve presa preventivamente por causa do caso Henry Borel. Em entrevista recente, o advogado Hugo Novais afirmou que a ex-professora chegou a ser vítima de uma tentativa de homicídio dentro da unidade prisional onde estava custodiada.

Monique, que era mãe de Henry Borel, esteve no centro de um dos casos criminais mais comentados do país nos últimos anos. O menino morreu em março de 2021, aos 4 anos de idade, em um episódio que provocou forte comoção nacional e gerou intensa repercussão nas redes sociais e na imprensa. No julgamento relacionado ao caso, Monique recebeu perdão judicial.

Falando ao portal Leo Dias, Hugo Novais revelou que a cliente vive até hoje com medo das consequências de toda a exposição que enfrentou ao longo dos últimos anos. Segundo ele, a defesa acompanha o caso de Monique há cerca de cinco anos e testemunhou de perto o impacto emocional causado por todo o processo.

“Sem sombra de dúvidas, a Monique tem muito medo”, declarou o advogado durante a entrevista.

De acordo com Novais, um dos episódios mais graves aconteceu dentro do sistema prisional. Ele afirmou que uma detenta teria atacado Monique utilizando uma lâmina, atingindo a região do pescoço. O caso teria sido considerado sério o suficiente para motivar a abertura de uma investigação por parte do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

Ainda segundo o advogado, a ex-professora enfrentou um período extremamente difícil durante o cárcere. Ele relatou que, além do ataque físico, Monique teria recebido diversas ameaças ao longo dos anos em que permaneceu presa.

“Monique sofreu, ao longo do cárcere, diversas e diversas ameaças”, afirmou.

Novais também descreveu as condições em que sua cliente era mantida dentro da unidade. Segundo ele, havia momentos em que Monique permanecia isolada por longos períodos, sem contato com outras pessoas. A medida teria sido adotada justamente por questões de segurança, diante da repercussão do caso e dos riscos que ela correria dentro do ambiente prisional.

O advogado afirmou ainda que as situações enfrentadas por Monique foram comunicadas à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. De acordo com ele, a defesa entendeu que houve violações graves de direitos durante o período em que ela esteve presa.

As declarações reacenderam o debate sobre a situação de pessoas envolvidas em casos de grande repercussão pública. Em episódios que ganham enorme visibilidade nacional, não é incomum que acusados ou investigados se tornem alvo de ameaças, hostilidade e julgamentos antecipados por parte da opinião pública.

Durante a entrevista, Hugo Novais também fez uma avaliação sobre a forma como Monique é vista pela sociedade. Para ele, existe uma campanha de ódio direcionada à ex-professora que ultrapassa os limites do processo judicial.

Na visão do defensor, parte desse tratamento estaria relacionada ao machismo estrutural presente na sociedade brasileira. Ele argumenta que Monique recebe críticas e ataques mais intensos do que aqueles direcionados ao ex-vereador Dr. Jairinho, condenado pela morte de Henry Borel.

“Isso é muito claro para nós que acompanhamos o processo há tantos anos”, afirmou o advogado.

Segundo Novais, as ameaças recebidas pela cliente e a rejeição que ela enfrenta até hoje seriam reflexos desse fenômeno social. O defensor sustenta que Monique sofreu consequências dentro e fora da prisão que, em sua avaliação, foram mais severas do que as enfrentadas pelo homem apontado como responsável pela morte da criança.

As declarações, naturalmente, geraram repercussão e dividiram opiniões nas redes sociais. Enquanto algumas pessoas demonstraram solidariedade à situação relatada pela defesa, outras contestaram os argumentos apresentados pelo advogado.

Mesmo passados vários anos desde a morte de Henry Borel, o caso continua despertando forte interesse público e segue sendo um dos episódios criminais mais marcantes da história recente do Brasil.



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