Humorista que marcou A Praça é Nossa faleceu afogado aos 67 anos

No fim da tarde de 16 de fevereiro de 2010, o que era para ser apenas um passeio em família acabou se transformando em uma tragédia que comoveu o Brasil. O humorista Arnaud Rodrigues, um dos nomes mais conhecidos de “A Praça é Nossa”, morreu aos 67 anos depois de um acidente de barco no Tocantins. A notícia pegou fãs e colegas de surpresa, principalmente porque o artista ainda fazia planos para voltar à televisão.

Naquele dia, Arnaud estava aproveitando momentos de descanso em um barco que navegava pelo reservatório da Usina Hidrelétrica Luiz Eduardo Magalhães, localizado a cerca de 26 quilômetros de Palmas. Além dele, outras dez pessoas estavam na embarcação, entre elas a esposa, netos e amigos próximos da família. O clima era tranquilo até que tudo mudou de uma hora pra outra.

Por volta das 17h30, uma tempestade muito forte atingiu a região. Os ventos apareceram de forma repentina e levantaram ondas que fizeram a pequena embarcação perder completamente o equilibrio. Em poucos instantes, o barco virou no meio do lago, provocando uma cena de desespero entre todos que estavam ali.

Quem morava em chácaras próximas ouviu os pedidos de socorro e correu para ajudar usando barcos particulares. Graças a essa ação rápida, nove pessoas conseguiram ser retiradas da água com vida. Elas foram encaminhadas para atendimento médico bastante abaladas e com sinais de exaustão. Entre os sobreviventes estava a esposa do humorista.

Infelizmente, Arnaud Rodrigues não teve a mesma sorte. Mesmo sendo considerado um ótimo nadador, ele acabou desaparecendo nas águas profundas do reservatório. O Corpo de Bombeiros iniciou as buscas ainda durante a noite, mas a falta de visibilidade dificultou bastante o trabalho das equipes. As operações precisaram ser interrompidas e retomadas somente na manhã seguinte.

Foi então que veio a confirmação mais triste. O corpo do artista foi encontrado no dia seguinte, encerrando qualquer esperança de um desfecho diferente. O piloto da embarcação também desapareceu durante o acidente. A morte de Arnaud causou uma enorme comoção entre artistas e admiradores, que lembraram sua importância para o humor brasileiro.

Muito além do personagem Chitãoró, que marcou época em “A Praça é Nossa” ao lado de Marcelo de Nóbrega, Arnaud construiu uma carreira extensa e bastante respeitada. Ele também trabalhou na Globo em parceria com Chico Anysio, participando tanto como ator quanto como redator de programas que fizeram história na televisão brasileira.

Entre seus personagens mais lembrados estão Soró, da novela “Pão Pão, Beijo Beijo”, papel que depois também apareceu em produções com Os Trapalhões. Outro destaque foi o inesquecível Cego Jeremias, personagem da versão de 1985 de “Roque Santeiro”, que até hoje é lembrado por muitos telespectadores.

Mas quem pensa que Arnaud brilhou apenas no humor está enganado. A música também fazia parte da sua vida. Nos anos 70 integrou o grupo Baiano e os Novos Caetanos e gravou o “Melô do Tagarela”, lançado em 1979. Muitos especialistas consideram essa música uma das primeiras experiências que ajudaram a abrir caminho para o rap brasileiro, bem antes do gênero ganhar força no país.

Nos últimos anos de vida, Arnaud preferiu uma rotina mais tranquila. Em 1999 deixou o tradicional eixo Rio-São Paulo e passou a morar em Palmas, onde trabalhou na gestão do Palmas Futebol e Regatas. Apesar da mudança de cidade, nunca abandonou os projetos ligados ao entretenimento.

Em 2010, poucos meses antes da tragédia, ele preparava seu retorno para “A Praça é Nossa” e também desenvolvia um novo programa de variedades voltado para a televisão local. Os planos mostravam que a criatividade continuava viva e que ainda existia muita vontade de produzir e fazer o público sorrir.

Mais de uma década depois, Arnaud Rodrigues segue sendo lembrado pelo talento, pelo carisma e pelas contribuições que deixou tanto para a televisão quanto para a música brasileira. Sua partida aconteceu de forma inesperada, mas seu legado continua presente na memória de quem acompanhou sua carreira e reconhece a importância que ele teve na história do entretenimento nacional.



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