Anac faz alerta urgente após morte de aluno de aviação em “banho de óleo”

A morte do jovem Gustavo Henrique Lara, de 27 anos, durante uma comemoração em uma escola de aviação de Ponta Grossa, no Paraná, provocou grande repercussão e levou a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a fazer um alerta sobre esse tipo de prática. O caso aconteceu depois que o aluno concluiu seu primeiro voo solo, uma das etapas mais importantes da formação de um piloto.

Nesta sexta-feira (17), a Anac divulgou uma nota lamentando a morte do estudante e reforçando que óleos e lubrificantes usados em motores de aeronaves jamais devem entrar em contato com a pele. Segundo a agência, os próprios fabricantes desses produtos já alertam sobre os riscos, que podem causar graves problemas de saúde e, em situações extremas, até levar uma pessoa à morte.

De acordo com as informações divulgadas pelas autoridades, Gustavo participou de um tradicional “trote” realizado após o primeiro voo solo. Durante a comemoração, um instrutor despejou óleo utilizado em motores de aeronaves sobre o corpo do jovem. O procedimento é conhecido em alguns aeroclubes como uma espécie de batismo na aviação, apesar de não fazer parte de nenhuma regra oficial do setor.

Pouco tempo depois do contato com a substância, Gustavo começou a passar mal. Ele sofreu uma reação anafilática, considerada uma das formas mais graves de alergia. Em seguida, teve uma crise convulsiva e sofreu três paradas cardiorrespiratórias. As equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) conseguiram reverter as duas primeiras paradas, mas infelizmente o jovem não resistiu à terceira.

Ele ainda foi levado para um hospital da cidade, onde recebeu atendimento médico, porém morreu na unidade de saúde. A notícia causou tristeza entre familiares, amigos e pessoas ligadas ao setor da aviação, principalmente porque Gustavo estava comemorando um momento importante de sua formação.

Em sua manifestação oficial, a Anac destacou que a segurança deve estar acima de qualquer tradição. A agência pediu que escolas de aviação, aeroclubes e centros de instrução revejam esse tipo de ritual para evitar que situações semelhantes voltem a acontecer. Segundo o órgão, qualquer celebração deve ser feita de maneira responsável, sem colocar alunos, instrutores ou qualquer outra pessoa em risco.

O Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) do Aeroclube de Ponta Grossa também divulgou uma nota de pesar nas redes sociais. A instituição lamentou profundamente a morte do aluno e informou que não fará comentários sobre o caso enquanto as investigações estiverem em andamento. Ainda segundo o comunicado, a decisão foi tomada em respeito aos familiares de Gustavo e ao trabalho realizado pelas autoridades responsáveis pela apuração.

A investigação está sendo conduzida pela Polícia Civil do Paraná. Conforme explicou o delegado Lucas Petry, o instrutor responsável por jogar o óleo se apresentou espontaneamente à delegacia. Em depoimento, ele confirmou que lançou a substância sobre Gustavo e afirmou que o procedimento costuma ser realizado “do pescoço para baixo”, seguindo uma tradição existente em alguns locais de treinamento.

O instrutor foi preso em flagrante por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Depois de prestar depoimento, ele foi liberado mediante pagamento de uma fiança no valor de R$ 3 mil. Sua identidade não foi divulgada pelas autoridades.

Até o momento, a Polícia Civil informou que não existem indícios de que o suspeito tenha agido com intenção de provocar a morte do aluno. Mesmo assim, a investigação continua para esclarecer todos os detalhes do ocorrido.

Entre os pontos que ainda serão analisados estão a composição do óleo utilizado, a quantidade aplicada, quais partes do corpo tiveram contato com o produto e se existe relação direta entre essa exposição e a reação que levou Gustavo à morte. Também foram solicitados exames necroscópicos, toxicológicos e análises químico-periciais, além da coleta de imagens, documentos e depoimentos de testemunhas, participantes da comemoração e familiares da vítima.

Enquanto o inquérito segue em andamento, o caso reacendeu o debate sobre tradições consideradas perigosas em ambientes de formação profissional. A expectativa agora é que as investigações esclareçam completamente o que aconteceu e que medidas sejam adotadas para impedir que um episódio tão trágico volte a se repetir.



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