Há um ano, o Brasil perdia Preta Gil: relembre sua luta até o fim

Um ano depois da morte de Preta Gil, o Brasil ainda relembra a coragem da cantora durante a luta contra o câncer. No dia 20 de julho de 2025, a artista morreu em Nova York, aos 50 anos, encerrando uma batalha que começou mais de dois anos antes e mobilizou milhões de brasileiros que acompanharam cada etapa do tratamento.

Depois de passar por praticamente todas as opções de tratamento disponíveis no Brasil, Preta decidiu viajar para os Estados Unidos em busca de uma alternativa experimental. A expectativa era encontrar uma nova chance de controlar a doença, mas infelizmente a resposta do organismo não foi a esperada. Poucas semanas após iniciar o tratamento, o quadro clínico apresentou uma piora significativa.

Mesmo diante das dificuldades, a cantora manteve a esperança e seguia dividindo parte da sua rotina com os fãs. Em vários momentos, ela falou sobre a importância de acreditar na medicina, na fé e no apoio da família. Quando recebeu a notícia de que não havia mais possibilidades de cura, decidiu que queria voltar ao Brasil para ficar perto das pessoas que amava.

A viagem de retorno, no entanto, nunca aconteceu. Pouco antes do embarque, enquanto era levada em uma ambulância até o aeroporto para seguir em uma UTI aérea, Preta passou mal e morreu. A notícia causou uma enorme comoção e rapidamente tomou conta das redes sociais, onde artistas, amigos e admiradores prestaram homenagens emocionadas.

A história da doença começou em janeiro de 2023. Naquele período, Preta Gil procurou atendimento médico depois de sentir um forte desconforto abdominal. Após exames, veio o diagnóstico de câncer colorretal. Sem perder tempo, ela iniciou sessões de quimioterapia e passou a enfrentar uma intensa rotina de consultas, exames e internações.

Durante essa primeira fase do tratamento, a cantora enfrentou momentos bastante delicados. Um deles foi uma sepse, uma grave infecção que exigiu sua internação em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Depois da recuperação, ela contou publicamente que havia ficado com algumas sequelas, mas reforçou que não pretendia desistir da luta.

Em agosto de 2023, Preta deu continuidade ao tratamento em São Paulo, onde realizou radioterapia, quimioterapia oral e passou por uma cirurgia importante. Os médicos fizeram a colocação de uma bolsa de ileostomia e também precisaram realizar a amputação do reto como parte do procedimento.

Meses depois, em novembro, a artista voltou ao centro cirúrgico para reconstruir o trato intestinal e retirar a bolsa de ileostomia. Já em dezembro daquele ano, anunciou com muita emoção que havia encerrado o tratamento inicial e iniciava uma fase de recuperação. Na ocasião, explicou que seguiria sendo acompanhada pelos médicos durante cinco anos, período considerado fundamental para monitorar uma possível volta da doença.

Mas a alegria durou pouco. Em agosto de 2024, cerca de oito meses após comemorar o fim do tratamento, Preta revelou que o câncer havia retornado. Desta vez, os exames apontaram metástases em diferentes regiões do corpo, incluindo linfonodos, peritônio e ureter.

Sem esconder a realidade, ela falou com sinceridade sobre o novo desafio. Explicou que estava em remissão, mas que infelizmente a doença voltou antes do esperado. A declaração emocionou fãs e mostrou, mais uma vez, a forma transparente com que sempre lidou com sua saúde.

A partir de setembro de 2024, a cantora retomou a quimioterapia, utilizando uma bomba portátil para receber a medicação em casa. Durante esse período, ainda precisou interromper parte do tratamento para realizar uma cirurgia de emergência, motivada por uma obstrução em um cateter conhecido como Duplo J, responsável por auxiliar a drenagem da urina.

No fim daquele ano, enfrentou uma das cirurgias mais longas e complexas de toda a sua trajetória. O procedimento, realizado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, durou aproximadamente 20 horas e teve como objetivo remover os tumores identificados pelos médicos.

Já em maio de 2025, Preta embarcou para os Estados Unidos em busca de um tratamento experimental. Ela chegou a afirmar, durante uma entrevista, que no Brasil já havia tentado todas as possibilidades disponíveis e que sua última esperança estava na terapia oferecida no exterior.

Infelizmente, o tratamento não trouxe o resultado esperado. Em julho de 2025, após ser informada de que não existiam mais alternativas capazes de reverter o avanço da doença, decidiu retornar ao Brasil. Seu maior desejo era reencontrar familiares, especialmente a mãe, Sandra Gadelha, que não conseguiu acompanhá-la durante todo o período nos Estados Unidos.

O corpo de Preta Gil chegou ao Brasil em 24 de julho de 2025. No dia seguinte, o velório foi realizado no Theatro Municipal, no Centro do Rio de Janeiro, reunindo milhares de fãs, amigos, artistas e familiares. Um ano depois de sua partida, o legado da cantora continua vivo através da música, da alegria que transmitia e da força com que enfrentou um dos momentos mais difíceis de sua vida.



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