As declarações do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) voltaram a chamar atenção do cenário político nesta terça-feira (21). Em entrevista ao Metrópoles, ele comentou a repercussão do vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro (PL), no qual a ex-primeira-dama expôs desentendimentos com integrantes da família Bolsonaro e também divergências dentro do Partido Liberal (PL).
Durante a conversa, Eduardo classificou a atitude de Michelle como um sinal de “imaturidade” política. Segundo ele, conflitos internos são comuns em grupos políticos, principalmente quando está em jogo uma disputa de grande importância, como a eleição presidencial. Ainda assim, ele defendeu que esse tipo de problema deveria permanecer longe dos holofotes.
“O ambiente político naturalmente gera disputas por espaços importantes. Quando falamos da Presidência da República, isso acaba ficando ainda mais evidente. Infelizmente, essas divergências acabaram vindo a público. Isso demonstra uma certa imaturidade, embora também mostre que existe uma expectativa muito grande de que a direita volte a vencer a eleição”, afirmou.
Ao ser questionado sobre quem estaria demonstrando essa imaturidade, Eduardo respondeu diretamente que se referia à madrasta, Michelle Bolsonaro. Para ele, a divulgação do vídeo foi um erro estratégico.
“Foi uma imaturidade da Michelle. Ela jamais deveria ter publicado aquele vídeo. Esses assuntos precisam ser tratados internamente, porque quando chegam ao público acabam alimentando ainda mais as polêmicas”, declarou.
O episódio citado por Eduardo teve início no dia 24 de junho, quando Michelle Bolsonaro utilizou suas redes sociais para tornar públicas críticas direcionadas aos enteados e também a decisões tomadas por lideranças do Partido Liberal. Entre os pontos que mais causaram desconforto estava a articulação política em favor de um acordo para apoiar Ciro Gomes na disputa pelo governo do Ceará, movimento com o qual ela afirmou não concordar.
No vídeo, Michelle revelou ainda um desentendimento envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo ela, o parlamentar retornou uma ligação telefônica, mas a conversa terminou de forma bastante desagradável.
De acordo com o relato da ex-primeira-dama, Flávio teria sido ríspido durante o contato. Michelle afirmou que se sentiu desrespeitada e disse que, na sua avaliação, teria sido melhor que ele nem tivesse retornado a ligação.
“Ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para dizer o que me disse, teria sido melhor não ter ligado. Foi muito ríspido, me desrespeitou e me tratou mal ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele”, afirmou na ocasião.
Ainda segundo Michelle, a discussão aconteceu logo após ela manifestar oposição ao acordo articulado por lideranças do PL no Ceará para apoiar Ciro Gomes já no primeiro turno das eleições estaduais. A decisão gerou divergências dentro do partido e acabou ampliando o desgaste entre integrantes do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos bastidores, o episódio repercutiu rapidamente e passou a ser visto como um sinal das dificuldades enfrentadas pela direita para manter a unidade antes do período eleitoral. Analistas avaliam que conflitos públicos entre lideranças costumam desgastar a imagem do grupo e abrir espaço para críticas dos adversários.
A repercussão do vídeo também acabou atingindo a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro, apontado como o principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Palácio do Planalto. Embora integrantes do partido tentem minimizar o episódio, a exposição das divergências familiares e políticas aumentou o debate sobre o clima interno da legenda.
Enquanto isso, aliados defendem que os conflitos sejam superados nos próximos meses para evitar novos desgastes. Resta saber se o grupo conseguirá reconstruir a unidade antes do avanço da campanha eleitoral, já que qualquer novo episódio semelhante pode voltar a repercutir intensamente tanto nos bastidores da política quanto nas redes sociais.