Sobrinha de Arlindo Cruz falece após sofrer AVC

A música brasileira perdeu nesta terça-feira (21) uma de suas vozes conhecidas do samba. A cantora Débora Cruz morreu aos 45 anos, após passar algumas semanas internada por causa de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Desde o começo de julho ela estava hospitalizada e, por orientação médica, havia se afastado de todos os compromissos profissionais para priorizar o tratamento.

A notícia da morte causou tristeza entre familiares, amigos e pessoas ligadas ao carnaval. Débora fazia parte de uma família tradicional do samba e carregava esse legado desde muito nova. Ela era sobrinha do sambista Arlindo Cruz e filha do compositor Acyr Marques, dois nomes importantes da música brasileira.

Quem emocionou os seguidores nas redes sociais foi Arlindinho, primo da cantora. Em um vídeo publicado no Instagram, ele prestou uma homenagem carregada de emoção ao lembrar dos momentos que dividiram no palco e da relação construída ao longo dos anos.

“Hoje a nossa família se despede da sua voz mais linda. Tive a honra de dividir o palco com você, e esses momentos ficarão guardados para sempre na minha memória. Obrigado por tudo o que você representou para nós. Sua voz será eterna. Descanse em paz. Nós te amamos”, declarou.

A mensagem rapidamente recebeu milhares de comentários de fãs, músicos e integrantes do mundo do samba, que também deixaram palavras de carinho para a família. O falecimento de Débora acontece poucos anos depois da perda de Arlindo Cruz, reforçando o sentimento de tristeza entre pessoas próximas aos dois artistas.

Ao longo da carreira, Débora construiu uma trajetória marcada pelo trabalho nos bastidores e também pela participação em importantes projetos ligados ao carnaval. Ela atuava como cantora de apoio, participou de gravações de sambas-enredo, integrou coros musicais e marcou presença em diversas rodas de samba dedicadas às obras de Arlindo Cruz e de seu pai, Acyr Marques.

Nos últimos dois anos, também fazia parte do carro de som da Unidos do Viradouro, escola onde era bastante querida pelos integrantes da ala musical. Após a confirmação da morte, a agremiação divulgou uma nota lembrando a dedicação da artista.

Segundo a escola, Débora fazia parte oficialmente da ala musical desde o Carnaval de 2024, embora sua ligação com a Viradouro fosse ainda mais antiga, já que havia participado de apresentações na escola em 2016. A homenagem destacou que sua voz continuará viva na história da agremiação e agradeceu por toda contribuição que ela deu ao samba durante sua carreira.

A Portela também manifestou pesar pela morte da cantora. Em nota, a escola destacou que Débora passou por diferentes agremiações ao longo dos anos e, em todas elas, conquistou respeito, amizade e reconhecimento pelo talento que demonstrava. A mensagem ainda desejou força aos familiares, amigos, companheiros de carnaval e admiradores neste momento de despedida.

Nascida em uma família onde a música sempre esteve presente, Débora Baroni da Cruz teve contato com o canto ainda criança. As primeiras apresentações aconteceram na igreja evangélica que frequentava com a família. Com o passar do tempo, decidiu seguir o caminho do samba, estilo que marcou sua história e ajudou a consolidar seu nome entre músicos e intérpretes do carnaval.

Filha do compositor Acyr Marques, responsável por clássicos como “Insensato Destino” e “Coisa de Pele”, e sobrinha de Arlindo Cruz, ela cresceu cercada por grandes referências da música popular brasileira. Essa convivência influenciou diretamente sua formação artística e sua paixão pelo samba.

Mesmo sem ocupar frequentemente os holofotes, Débora conquistou respeito entre artistas e profissionais do meio musical. Sua voz acompanhou apresentações, gravações e desfiles de carnaval durante muitos anos, deixando uma marca importante na cultura do samba. Agora, amigos, familiares e fãs se despedem de uma artista que dedicou praticamente toda a vida à música e ajudou a manter viva uma tradição que atravessa gerações.



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