Mortes violentas caem 8,2% no Brasil em 2025; sete estados registram alta

A Situação da Violência no Brasil: Dados e Reflexões de 2025

No Brasil, as mortes violentas intencionais diminuíram em 2025, apresentando uma queda de 8,2% em comparação ao ano anterior. Essas informações foram divulgadas durante a manhã do dia 23 de novembro, no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Apesar da redução geral, é importante observar que sete estados apresentaram um aumento preocupante nos índices de violência.

Números Gerais de Mortes Violentas

Durante o ano de 2025, o Brasil contabilizou aproximadamente 40.775 mortes violentas intencionais. Essa categoria abrange homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes resultantes de intervenções policiais, tanto em serviço quanto fora dele. A taxa nacional ficou em 19,1 mortes para cada 100 mil habitantes, o que é um indicativo de um cenário complexo e multifacetado.

Além da queda em relação a 2024, os dados mostram uma redução significativa de 31% em comparação a 2012, que foi o primeiro ano da série histórica divulgada pelo FBSP. Isso pode ser visto como um avanço, mas não deve fazer com que se esqueçam os desafios que ainda existem.

Estados com Aumento em Mortes Violentas

Infelizmente, mesmo com a redução geral dos números, sete estados do Brasil apresentaram um aumento nas mortes violentas intencionais. Esses estados incluem:

  • Rio Grande do Norte
  • Rondônia
  • Acre
  • Roraima
  • Distrito Federal
  • Mato Grosso do Sul
  • Rio de Janeiro

O Rio Grande do Norte se destacou com um aumento alarmante de 19,6%, onde os homicídios dolosos saltaram de 655 em 2024 para 843 em 2025. Essa crescente violência é atribuída a conflitos entre organizações criminosas, como o Comando Vermelho e o PCC, que têm intensificado a luta pelo controle do tráfico de drogas.

Em Rondônia, o aumento foi impulsionado pela letalidade policial, que saltou de 8 para 47 mortes em um ano, representando 9,5% do total de mortes violentas. Esse fenômeno é também observado no Rio de Janeiro, onde as intervenções policiais estão cada vez mais letais, resultando em 20,5% de todas as mortes violentas no estado.

Tipos de Mortes Violentas

Ao observar os tipos de mortes, os homicídios dolosos foram os mais numerosos, com 32.914 casos e uma taxa de 15,4 por 100 mil habitantes, apresentando uma redução de 10% em relação a 2024. Dentro desse contexto, os feminicídios, que são homicídios dolosos cometidos contra mulheres, contabilizaram 1.571 casos, mostrando um aumento de 4% em relação ao ano anterior.

Os latrocínios, que são roubos seguidos de morte, totalizaram 807 casos, representando uma taxa de 0,4 por 100 mil habitantes, com uma diminuição de 17% em comparação a 2024. Já as lesões corporais seguidas de morte resultaram em 659 vítimas, sendo essa uma redução de 15,2% em relação aos dados do ano anterior.

Perfil das Vítimas

O Anuário também revela informações significativas sobre o perfil das vítimas. Cerca de 90% das pessoas que perderam a vida em mortes violentas intencionais são homens, e esse número sobe para 99,3% quando consideramos as mortes decorrentes de intervenções policiais. Além disso, a violência no Brasil é marcada por um forte viés racial, com 79,7% das vítimas de homicídios dolosos sendo pessoas negras.

Observando a faixa etária, a maioria das vítimas está concentrada entre os 18 e 24 anos, representando aproximadamente 36% dos casos. Essa informação é alarmante, pois indica que a juventude brasileira está sendo duramente afetada pela violência.

Cidades Mais Violentas

As regiões Nordeste e Norte continuam a ser as mais afetadas, com taxas de 31,6 e 25,3 por 100 mil habitantes, respectivamente, ambas acima da média nacional. O Nordeste, em particular, concentra as dez cidades mais violentas do país. Algumas delas incluem:

  • Maranguape (CE)
  • Eunápolis (BA)
  • Maracanaú (CE)
  • Porto Seguro (BA)
  • Simões Filho (BA)
  • Jequié (BA)
  • Caucaia (CE)
  • Cabo de Santo Agostinho (PE)
  • Santa Rita (PB)
  • Juazeiro (BA)

Esses dados ressaltam a necessidade urgente de políticas públicas que possam realmente endereçar as causas da violência e buscar soluções efetivas para a segurança da população.

Conclusão

Embora os números de 2025 indiquem uma queda nas mortes violentas intencionais, a realidade em alguns estados é preocupante e demanda atenção. É essencial que continuemos a discutir e implementar soluções que visem não apenas reduzir os números, mas também lidar com as raízes profundas da violência que afetam tantas vidas no Brasil.



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