A morte do jornalista Delson Carlos causou grande comoção em Goiânia e também entre colegas da imprensa. O crime aconteceu no começo da noite da última sexta-feira, dia 24, dentro do apartamento onde ele morava, no Setor Bueno, um dos bairros mais conhecidos da capital de Goiás. O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil, que tenta esclarecer todos os detalhes do que aconteceu e descobrir o que levou a essa tragédia.
De acordo com as primeiras informações divulgadas pelas autoridades, tudo começou depois de uma reunião entre amigos. Delson estava em casa acompanhado de uma amiga de muitos anos, da companheira dela e também de seu próprio companheiro. Durante boa parte da tarde, os quatro conversaram, comeram e passaram o tempo juntos em um clima considerado tranquilo, sem qualquer sinal de que algo grave pudesse acontecer.
Por volta das 18 horas, o namorado do jornalista decidiu deixar o apartamento. Em depoimento aos policiais, ele contou que, quando saiu, o ambiente estava calmo e nenhuma discussão havia começado. Só que, pouco tempo depois da saída dele, a situação mudou completamente.
Segundo a investigação inicial, uma discussão teve início dentro do imóvel. Ainda não se sabe exatamente o motivo do desentendimento, mas durante a briga a amiga de Delson teria pegado uma faca e partido para cima do jornalista. Conforme os relatos, ela desferiu diversos golpes contra a vítima, que ficou gravemente ferida. A companheira da suspeita tentou impedir as agressões e proteger Delson, mas acabou sendo atingida também durante a confusão.
Mesmo bastante machucados, Delson e a mulher conseguiram deixar o apartamento. Eles desceram pelas escadas do prédio tentando buscar ajuda. O jornalista, no entanto, não conseguiu ir muito longe. Ao chegar ao hall do quinto andar, caiu no chão e não resistiu aos ferimentos. Equipes de resgate ainda foram acionadas, mas infelizmente apenas puderam confirmar a morte dele no local.
Outro detalhe que chamou atenção dos investigadores é que o apartamento onde Delson morava não era dele. O imóvel pertencia justamente à mulher apontada como autora do ataque, que havia alugado o espaço para o jornalista há algum tempo. Esse fato agora também faz parte da investigação, embora ainda não exista nenhuma confirmação de que tenha relação direta com o crime.
Depois das facadas, a suspeita permaneceu trancada dentro do apartamento e ameaçou tirar a própria vida. A Polícia Militar foi acionada rapidamente, incluindo equipes do Batalhão de Operações Especiais (Bope), que iniciaram uma longa negociação para tentar convencê-la a se entregar sem que fosse necessário o uso da força.
As tentativas de diálogo duraram um tempo, mas não deram resultado. Diante da situação, os policiais decidiram entrar no imóvel utilizando explosivos para arrombar a porta. Após a invasão, a mulher foi rendida e presa em flagrante. Segundo informações divulgadas pela TV Anhanguera, ela teria confessado o crime logo após ser detida.
Em entrevista à emissora, o major João Rosa Soares Júnior, subcomandante do Bope, afirmou que a mulher aparentava estar em um surto psicótico durante toda a ocorrência. Mesmo assim, ela foi encaminhada para a delegacia e permaneceu presa. A audiência de custódia estava prevista para acontecer neste sábado, dia 25, enquanto a Justiça analisa os próximos passos do processo.
Já a companheira da suspeita, que ficou ferida ao tentar impedir as agressões, foi socorrida e levada para um hospital da região. Apesar dos ferimentos, o estado de saúde dela é considerado estável e, segundo os médicos, não há risco de morte. Familiares acompanham sua recuperação.
Em nota oficial, a Polícia Civil informou que abriu um inquérito para investigar o caso, registrado como homicídio consumado e lesão corporal. Durante a perícia, foram apreendidos diversos objetos que podem ajudar a esclarecer como tudo aconteceu. Os investigadores agora trabalham para entender a verdadeira motivação da discussão, ouvir novas testemunhas e reunir provas. Enquanto isso, amigos, colegas de profissão e pessoas que conheciam Delson lamentam profundamente sua morte, mais um episódio de violência que volta a chamar atenção para crimes ocorridos dentro de ambientes onde, até poucas horas antes, tudo parecia absolutamente normal.