Uma confusão envolvendo uma pré-candidata a deputada federal pelo Partido Liberal (PL) acabou parando na polícia e chamou atenção em Brasília. Maria Amélia Campos Dias enfrentou um impasse ao tentar entrar no condomínio Mônaco, localizado no Jardim Botânico, uma das regiões mais valorizadas da capital federal. O episódio aconteceu depois que ela foi impedida de acessar o residencial como moradora.
Segundo as informações registradas, Maria Amélia vive no condomínio ao lado do marido há cerca de 16 anos. Mesmo assim, a administração do local afirmou que ela não apresentou a documentação exigida para comprovar a titularidade do terreno. Por esse motivo, o cadastro como moradora não teria sido atualizado, fazendo com que o acesso fosse liberado apenas na condição de visitante.
A situação acabou gerando um clima tenso na última quinta-feira (23). Ao chegar ao condomínio, Maria Amélia e o marido discutiram com a síndica Juliana Porcaro depois de serem barrados na portaria. O desentendimento terminou na 30ª Delegacia de Polícia, em São Sebastião, onde os dois lados registraram versões diferentes do ocorrido.
De acordo com o boletim de ocorrência, a síndica acusou o casal de ameaça durante a discussão. Já Maria Amélia afirmou aos policiais que vem sendo alvo de perseguição dentro do condomínio e que acredita que isso tenha relação com sua condição de pré-candidata nas eleições.
Em seu depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), a confeiteira contou que, ao chegar ao residencial, foi informada pelo porteiro de que não poderia entrar como moradora. Ela disse que a determinação partiu da administração do condomínio e que precisaria acessar o local apenas como visitante.
Ainda segundo Maria Amélia, sua imagem estaria sendo prejudicada por comentários feitos tanto pessoalmente quanto em mensagens publicadas no grupo de WhatsApp do condomínio. Na visão dela, essas atitudes teriam o objetivo de desgastar sua reputação e dificultar sua pré-candidatura.
Já a síndica apresentou uma versão diferente dos fatos. Em depoimento, Juliana afirmou que desde janeiro vem solicitando a documentação atualizada do imóvel, mas que nenhum documento teria sido oficialmente protocolado na administração. Sem essa regularização, segundo ela, seria impossível manter o cadastro de moradores atualizado.
A administradora também declarou que sofreu ameaças por parte do marido de Maria Amélia durante uma reunião realizada anteriormente. Conforme seu relato, ele teria dito que ela estava “criando muitos inimigos” e que seria melhor tomar cuidado. Essa declaração motivou o registro da ocorrência por ameaça, que agora segue sob investigação da Polícia Civil.
A defesa de Maria Amélia divulgou uma nota contestando a versão apresentada pela administração do condomínio. Segundo os advogados, a pré-candidata compareceu à delegacia apenas para registrar a ocorrência relacionada à restrição de acesso ao lugar onde vive há mais de 18 anos.
Os representantes da confeiteira afirmam ainda que o casal possui um documento original comprovando sua relação com o imóvel. O material teria reconhecimento em cartório e, segundo eles, já havia sido apresentado anteriormente à administração do condomínio. Por isso, consideram incorreta a afirmação de que nunca entregaram qualquer comprovação.
Na nota, a defesa destaca que Maria Amélia e o marido não buscam nenhum tipo de privilégio. O pedido, segundo os advogados, é apenas para que sejam tratados da mesma forma que os demais moradores, podendo entrar livremente no condomínio onde vivem há quase duas décadas, sem constrangimentos ou restrições consideradas arbitrárias.
O comunicado também informa que todas as medidas judiciais cabíveis serão adotadas para preservar a honra, a imagem e os direitos do casal, principalmente diante da divulgação de informações que, na avaliação da defesa, seriam incompletas ou sem o devido contraditório.
Quem acompanha a política do Distrito Federal conhece Maria Amélia principalmente por sua proximidade com nomes importantes do PL. Ela mantém relação com a deputada federal Bia Kicis, pré-candidata ao Senado, além da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Além da atuação política, Maria Amélia trabalha como confeiteira e ficou conhecida por produzir doces e bolos para eventos da família Bolsonaro. Entre as encomendas mais comentadas estão bolos personalizados feitos durante o período em que o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpria prisão domiciliar, incluindo celebrações do Dia dos Pais e também a festa de 15 anos de Laura Bolsonaro, filha caçula do ex-presidente. Enquanto a investigação segue em andamento, caberá às autoridades esclarecer os fatos e definir se houve irregularidades ou responsabilidades por parte dos envolvidos.