O tambaqui (Colossoma macropomum), um dos peixes mais conhecidos e consumidos na região Norte do Brasil, passou a integrar a lista nacional de espécies ameaçadas de extinção. A inclusão acendeu um sinal de alerta entre autoridades, pesquisadores e também entre milhares de pescadores que dependem da espécie para garantir renda e alimento. Além da preocupação com a preservação, existe agora a possibilidade de que a pesca do tambaqui seja proibida em todo o país caso algumas medidas não sejam adotadas dentro do prazo previsto.
A lista foi divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (MMA) no dia 27 de abril. Apesar da repercussão, a decisão não significa que a captura do peixe está proibida neste momento. De acordo com o diretor do Departamento de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do ministério, Braulio Ferreira de Souza Dias, a inclusão da espécie representa um passo importante para estimular ações de recuperação da população do tambaqui.
Segundo o governo federal, será necessário elaborar um plano de recuperação da espécie. Esse documento deverá reunir estratégias para aumentar a população do peixe e garantir que a pesca possa acontecer de maneira sustentável nos próximos anos. A intenção é equilibrar a preservação ambiental com a atividade econômica desenvolvida por milhares de famílias.
A Portaria nº 1.666 estabeleceu um prazo de 180 dias para que esse plano seja elaborado e aprovado. O período termina em 25 de outubro. Caso isso não aconteça dentro do prazo previsto, a pesca do tambaqui poderá ser suspensa em todo o território nacional a partir do fim de outubro, o que preocupa produtores, comerciantes e pescadores da região amazônica.
De acordo com o Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o tambaqui foi classificado na categoria “Vulnerável”. Essa classificação indica que a espécie enfrenta um risco significativo de diminuição populacional caso nenhuma medida de proteção seja colocada em prática.
Os estudos utilizados para essa avaliação apontam uma redução estimada de 43,4% da população ao longo de três gerações do peixe. Entre os fatores apontados pelos pesquisadores está a pesca em larga escala, considerada uma das principais responsáveis pela diminuição dos estoques naturais nas últimas duas décadas.
Mesmo assim, especialistas afirmam que ainda existem lacunas importantes nas informações disponíveis. Um dos pontos levantados é a dificuldade de medir o impacto da aquicultura sobre a espécie. Embora a criação de tambaqui em cativeiro tenha crescido bastante nos últimos anos, ainda não há consenso sobre como essa atividade influencia a conservação das populações que vivem em ambiente natural.
A possibilidade de futuras restrições provocou reação entre pescadores, produtores e pesquisadores. Muitos deles defendem que a classificação do tambaqui seja revista antes da adoção de medidas mais rígidas. Segundo esse grupo, os dados utilizados para avaliar a situação da espécie não representam toda a realidade encontrada na Amazônia.
Os registros oficiais de desembarque de pesca analisados nos estudos abrangem principalmente áreas que não possuem proteção ambiental. Essas regiões correspondem a aproximadamente 61% da população conhecida de tambaquis. No entanto, faltam informações sobre unidades de conservação e também sobre territórios indígenas, locais onde a presença da espécie pode ser maior e onde o monitoramento ainda é limitado.
Na avaliação de representantes do setor pesqueiro, essa ausência de informações pode ter influenciado a classificação de risco. Eles defendem que novos levantamentos sejam realizados para oferecer um retrato mais completo da situação do tambaqui antes que qualquer proibição entre em vigor.

Enquanto o debate continua, especialistas concordam em um ponto: preservar o tambaqui é fundamental não apenas para a biodiversidade brasileira, mas também para milhares de famílias que dependem da pesca e da comercialização desse peixe. A expectativa agora é que governo, comunidade científica e representantes do setor encontrem uma solução que garanta tanto a conservação da espécie quanto a continuidade da atividade pesqueira de forma responsável.