A morte de Chorão, vocalista da banda Charlie Brown Jr., continua sendo um dos episódios mais marcantes da música brasileira. Mesmo passados mais de dez anos desde a tragédia, novas informações ainda aparecem e despertam a curiosidade de quem acompanhava a carreira do cantor. Desta vez, detalhes inéditos sobre as últimas horas de vida do artista vieram à tona durante uma entrevista concedida pelo delegado Luiz Augusto Romani ao podcast Snyder Cast, no YouTube.
Chorão morreu em março de 2013, dentro do apartamento onde morava, no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. Na época, a causa oficial da morte foi confirmada como overdose. O caso ganhou enorme repercussão e deixou fãs de todo o Brasil em choque, principalmente porque o cantor era considerado um dos maiores nomes do rock nacional.
Durante a entrevista, Romani contou que foi um dos primeiros policiais a chegar ao imóvel depois que os seguranças encontraram o corpo do artista. Segundo ele, bastou entrar no apartamento para perceber que havia algo muito errado. O ambiente estava completamente desorganizado e apresentava sinais claros de que Chorão havia passado por momentos de extremo descontrole antes de morrer.
O delegado revelou um detalhe que nunca havia sido divulgado publicamente. De acordo com seu relato, o cantor sofreu um surto e acabou se machucando gravemente dentro do apartamento. Em um momento de desespero, teria dado um forte chute na parede, abrindo um buraco e deixando o dedão do pé praticamente decepado. Além disso, também teria puxado um aparelho de ar-condicionado e machucado outro dedo durante a confusão.
“Quando deu seis horas e pouco da manhã, o delegado seccional me ligou querendo saber como estava a situação. Quando cheguei lá vi que ele estava bastante machucado. Ele puxou o ar-condicionado, feriu o dedo e ainda deu um chute na parede. O dedão do pé estava pendurado. Foi um surto muito forte”, contou Romani durante a conversa.
O policial também explicou que a delegacia ficava a menos de um quilômetro do condomínio onde Chorão morava. Assim que recebeu o chamado, entrou na viatura e foi imediatamente ao endereço. Ao chegar, encontrou o cantor caído de bruços na cozinha do duplex, imóvel de aproximadamente 250 metros quadrados.
Segundo Romani, a cena causou um impacto enorme. Ele afirmou que cresceu ouvindo as músicas do Charlie Brown Jr. e jamais imaginou que um dia encontraria o artista naquela situação. Ainda conforme o delegado, o próprio cenário do apartamento já indicava que provavelmente se tratava de uma overdose, algo que acabou sendo confirmado pela equipe do Samu pouco tempo depois.
Na época da morte, pessoas próximas relataram que Chorão enfrentava uma fase muito difícil da vida. Amigos e conhecidos disseram que ele estava abalado emocionalmente desde a separação da ex-esposa e vinha lutando contra uma forte depressão. Também havia relatos sobre o uso frequente de drogas durante aquele período, situação que preocupava familiares e pessoas próximas.
Essas novas declarações reforçam o quanto os últimos dias do cantor foram marcados por sofrimento emocional. Embora a investigação já tivesse encerrado o caso anos atrás, os relatos apresentados agora ajudam a montar um retrato ainda mais detalhado do que aconteceu dentro do apartamento naquela madrugada.
Até hoje, Chorão segue sendo lembrado como um dos artistas mais influentes do rock brasileiro. Suas músicas continuam fazendo sucesso entre diferentes gerações, enquanto sua história também serve de alerta para a importância de cuidar da saúde mental e buscar ajuda diante de problemas como depressão e dependência química. A lembrança de sua trajetória permanece viva entre fãs, amigos e admiradores, que ainda lamentam a perda precoce de um dos maiores nomes da música nacional.