Caixa coloca imóvel de Eduardo Bolsonaro em leilão; veja os detalhes

O apartamento que pertenceu ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) acabou sendo retomado pela Caixa Econômica Federal e agora será colocado em leilão no próximo dia 20 de agosto. O imóvel fica em uma das regiões mais conhecidas da zona sul do Rio de Janeiro, na Avenida Pasteur, em Botafogo. Com cerca de 101 metros quadrados, o apartamento foi avaliado em pouco mais de R$ 1 milhão. Apesar disso, o lance inicial definido para o leilão ficou em aproximadamente R$ 644,3 mil, valor bem abaixo da avaliação feita pelo banco.

A perda do imóvel aconteceu depois que Eduardo deixou de pagar o financiamento contratado junto à Caixa. Como acontece em situações parecidas, o banco tentou fazer contato para cobrar as parcelas em atraso e dar oportunidade para que a dívida fosse regularizada. Só que, segundo os registros do processo, a notificação não conseguiu ser entregue no endereço informado.

Sem sucesso nas tentativas de localizar o ex-deputado, a Caixa precisou recorrer à intimação por edital. Esse tipo de procedimento costuma ser usado quando a pessoa não é encontrada para receber a comunicação oficial. Mesmo após essa etapa, a dívida não foi quitada dentro do prazo previsto e, por isso, a propriedade acabou sendo transferida oficialmente para o banco.

Eduardo Bolsonaro havia comprado esse apartamento em 2017 por R$ 1 milhão. O contrato foi assinado no dia 30 de junho daquele ano, quando ele já exercia o mandato de deputado federal. Toda a negociação foi registrada normalmente em seu nome na matrícula do imóvel.

Grande parte da compra foi feita através de financiamento. Conforme os documentos registrados em cartório, a Caixa liberou cerca de R$ 788 mil para a aquisição do apartamento. O contrato previa um prazo bastante longo para pagamento, de 420 meses, o equivalente a 35 anos. Na época da assinatura, a prestação inicial era de R$ 9.743,29.

O imóvel também apareceu na declaração de bens apresentada por Eduardo durante as eleições de 2022. Na documentação entregue à Justiça Eleitoral, ele informou que aproximadamente 80% do valor da compra havia sido financiado.

A situação começou a mudar em 2025. Naquele ano, a matrícula do apartamento passou a registrar uma restrição judicial envolvendo os bens do então deputado. Em julho, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de bens de Eduardo dentro da investigação que apura sua suposta atuação em favor da aplicação de sanções dos Estados Unidos contra o Brasil. No fim do ano passado, ele passou à condição de réu nesse processo.

Nesse mesmo período, Eduardo já estava morando nos Estados Unidos, onde permanece atualmente. Ele afirma que é alvo de perseguição judicial e nega irregularidades.

Enquanto isso, a Caixa iniciou os procedimentos para cobrar as parcelas que estavam em atraso. Em outubro de 2025 foram feitas tentativas de notificação, mas nenhuma delas teve sucesso. No mês seguinte, foi publicada a intimação por edital, dando um prazo legal para que a dívida fosse regularizada.

Os registros do cartório não informam exatamente quando aconteceu o primeiro atraso nem quantas parcelas deixaram de ser pagas. Também não há detalhes sobre o valor total da inadimplência. O documento apenas relata que o devedor não compareceu ao cartório para “saldar a dívida” dentro do período previsto pela legislação.

Como o prazo terminou em janeiro de 2026 sem qualquer pagamento, a Caixa consolidou oficialmente a propriedade do imóvel em seu nome. A transferência foi registrada em cartório no dia 30 de março daquele ano. Para esse procedimento, o apartamento recebeu avaliação de R$ 1.049.061.

Depois de assumir definitivamente a posse do imóvel, o banco decidiu colocá-lo à venda por meio de leilão público. O objetivo é recuperar parte do valor que deixou de ser pago durante o financiamento.

Segundo o edital divulgado, o apartamento possui 101 metros quadrados de área total e privativa. O imóvel conta com um quarto, sala, cozinha, banheiro, lavabo e área de serviço. Agora, a expectativa é saber se o leilão atrairá interessados dispostos a disputar um imóvel localizado em uma das áreas mais valorizadas do Rio de Janeiro.



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