Os assessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, estaria atuando para fortalecer a direita na América Latina e, consequentemente, dificultar o caminho para uma possível reeleição de Lula. A avaliação ganhou força depois da divulgação de um vídeo oficial do governo americano que fala sobre o chamado “domínio nas Américas”.
As informações foram divulgadas pelo colunista Valdo Cruz, do g1 e da GloboNews. Segundo a análise apresentada, o vídeo faz referência à Doutrina Monroe, antiga política dos Estados Unidos para o continente americano, e reforça a ideia de que a influência norte-americana na região não deve ser colocada em dúvida.
O material também menciona ações recentes e intervenções envolvendo países da América Latina, entre elas a operação contra o governo de Nicolás Maduro, na Venezuela. Para integrantes do governo brasileiro, a mensagem transmitida pelo vídeo não seria apenas uma declaração sobre política externa. Ela representaria uma mudança mais clara na forma como os Estados Unidos pretendem atuar na América Latina nos próximos anos.
Dentro do Palácio do Planalto, a leitura é de que Marco Rubio e o governo de Donald Trump estão buscando ampliar a presença política dos Estados Unidos no continente. E, nesse cenário, o Brasil aparece como um dos principais focos de atenção.
A equipe de Lula interpreta essa movimentação como uma espécie de “diplomacia de quintal”, expressão usada para definir uma política em que determinada potência considera uma região próxima como área de sua influência direta. O Brasil teria um papel importante nessa disputa por ser a maior economia da América do Sul e também um país com grande peso político e diplomático.
Outro ponto que chama atenção do governo brasileiro é a presença cada vez maior da China na região. Na avaliação de aliados de Lula, os Estados Unidos enxergam os chineses como o principal concorrente estratégico na América Latina. Por isso, aumentar a influência sobre governos sul-americanos seria também uma forma de tentar conter o avanço econômico e político de Pequim.
Nesse ambiente de disputa internacional, Rubio e Trump vêm demonstrando aproximação com setores conservadores e candidaturas de direita em diferentes países. Um dos exemplos mais conhecidos é o presidente argentino Javier Milei, que mantém uma relação próxima com o governo americano e defende uma agenda econômica e política bastante alinhada à direita.
Para os interlocutores de Lula, esse movimento não acontece por acaso. A avaliação dentro do governo é de que Washington estaria tentando ampliar o número de governos ideologicamente próximos aos Estados Unidos na América Latina. O objetivo seria formar uma rede de aliados capaz de aumentar a influência norte-americana nas decisões políticas e econômicas da região.
É justamente nesse ponto que surge a preocupação com o Brasil. Segundo pessoas próximas ao presidente, faltaria o país para completar esse projeto de aproximação com governos de direita mais alinhados aos interesses de Washington.
A proximidade de Marco Rubio com integrantes da família Bolsonaro também é observada com atenção pelo grupo político de Lula. Para os aliados do presidente, os contatos e sinais de aproximação indicariam que os Estados Unidos podem ter interesse em fortalecer setores conservadores brasileiros durante o processo eleitoral.
Ainda não está claro, porém, até onde essa estratégia poderá avançar ou qual será o impacto real sobre a política brasileira. O cenário eleitoral de 2026 continua sujeito a mudanças, enquanto Lula e seus aliados acompanham de perto os movimentos de Washington.
A disputa, portanto, não envolve apenas eleições. Por trás dela existe também uma briga maior por influência política, econômica e diplomática na América Latina. E o Brasil, pelo tamanho e importância que possui no continente, aparece no centro desse jogo de interesses.