Lula antecipa herança aos filhos e patrimônio do presidente chama atenção

A nova declaração de bens apresentada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Justiça Eleitoral trouxe uma mudança importante no patrimônio informado pelo presidente. O documento, entregue no dia 7 de agosto, mostra que os bens declarados por Lula passaram de aproximadamente R$ 7,4 milhões, em 2022, para R$ 4,8 milhões em 2026. A redução chega a 35,6%.

A diferença chamou atenção e passou a ser comentada nos bastidores políticos de Brasília. De acordo com informações divulgadas pela coluna de Malu Gaspar, em O Globo, pessoas próximas ao presidente afirmam que parte dessa redução estaria ligada a uma antecipação de herança feita por Lula aos filhos.

Aos 80 anos, o presidente é pai de cinco filhos. Quatro são biológicos: Lurian Cordeiro, Fábio Luís Lula da Silva, Sandro Luís da Silva e Luís Cláudio. Lula também adotou Marcos Cláudio Lula da Silva, filho de Marisa Letícia com o primeiro marido dela.

Recursos estavam em planos de previdência

Segundo interlocutores, os valores repassados aos filhos teriam origem principalmente em investimentos mantidos por Lula em planos VGBL, uma modalidade de previdência privada bastante utilizada também como forma de planejamento patrimonial.

Na declaração apresentada em 2022, Lula informou possuir cerca de R$ 5,57 milhões aplicados em um único plano de VGBL. Já no documento mais recente aparecem dois investimentos desse tipo.

Um deles está no Bradesco, com valor declarado de aproximadamente R$ 1,4 milhão. O segundo pertence à Brasilprev Seguros e soma cerca de R$ 1,9 milhão. Juntos, os dois planos representam R$ 3,3 milhões.

A explicação dada por um interlocutor é que Lula teria decidido distribuir parte desses recursos igualmente entre os filhos. A intenção seria ajudar os familiares com despesas e também evitar possíveis dificuldades financeiras no futuro.

Pela diferença entre os valores declarados em 2022 e agora, a quantia que teria sido antecipada aos filhos pode chegar a cerca de R$ 2,2 milhões. O número, porém, é uma estimativa baseada na variação do patrimônio declarado.

Transferências para Lulinha já tinham sido reveladas

O assunto também se relaciona a transferências feitas para Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Documentos bancários obtidos pela CPMI do INSS em março deste ano apontaram que ele recebeu aproximadamente R$ 721 mil do pai entre julho de 2022 e dezembro de 2023.

Na ocasião, a defesa de Lulinha explicou que os valores enviados por Lula faziam parte de um adiantamento de legítima herança aos filhos do presidente. Também foram mencionados reembolsos de despesas pagas por Lulinha enquanto Lula estava preso, além de empréstimos relacionados à empresa LILS Palestras.

O nome de Lulinha também apareceu nas investigações envolvendo supostos desvios de recursos de aposentados e pensionistas do INSS. O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), chegou a pedir o indiciamento dele por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e tráfico de influência.

Apesar da repercussão, o relatório final da CPMI acabou rejeitado depois de articulações políticas no Congresso.

A assessoria da campanha de Lula foi procurada para explicar a queda no patrimônio. A equipe, porém, direcionou os questionamentos para a Secretaria de Comunicação Social (Secom).

A Secom informou que o assunto não possui relação com o governo. Dessa forma, a discussão sobre a redução dos bens declarados permanece ligada à situação patrimonial pessoal do presidente e aos recursos que, segundo seus aliados, teriam sido antecipados aos filhos.



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