Em discurso, Lula critica uso de mentiras em eleições: “Pode ganhar mentindo, mas não governa”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou durante um evento político em Belo Horizonte, em Minas Gerais, que um candidato até pode conseguir vencer uma eleição fazendo uso de informações falsas ou de discursos que não correspondem à realidade. Para ele, no entanto, esse tipo de estratégia não seria suficiente para conduzir um governo depois da vitória nas urnas.

A declaração foi feita na Praça da Estação, durante um ato que marcou oficialmente o início da candidatura do deputado federal Patrus Ananias (PT) ao governo de Minas Gerais. Em meio ao discurso, Lula resumiu sua avaliação em uma frase que acabou chamando bastante atenção: “Você pode ganhar uma eleição mentindo, mas não se governa mentindo”.

A fala ocorre em um momento em que a disputa pelo Palácio Tiradentes começa a ganhar mais espaço no cenário político mineiro. Segundo levantamento recente do Datafolha citado no evento, Patrus aparece com 12% das intenções de voto, mesmo percentual registrado pelo ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT). Na liderança está o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que soma 32%.

O cenário ainda deve mudar bastante até o período eleitoral. Em Minas Gerais, como acontece em outras partes do país, os nomes que aparecem nas pesquisas neste momento ainda precisam consolidar suas candidaturas e apresentar propostas ao eleitorado. A campanha oficial, além disso, tende a provocar mudanças importantes nas intenções de voto.

Durante o mesmo discurso, Lula também falou sobre conflitos internacionais e revelou uma sugestão que teria feito ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o petista, a ideia seria reunir Trump, o presidente chinês Xi Jinping e o líder russo Vladimir Putin para tentar encontrar caminhos diplomáticos para os conflitos que atingem diferentes regiões do mundo.

Lula contou que apresentou a proposta ao presidente norte-americano pensando, inclusive, na reunião da Organização das Nações Unidas (ONU), prevista para setembro. De maneira descontraída, o presidente brasileiro sugeriu que Trump recebesse os dois líderes em sua própria casa para uma conversa.

“Falei: Trump, em setembro tem a reunião da ONU. Convida o Xi Jinping e o Putin para sua casa. Ele tem uma casa de golfe, acho que em Miami. Convida os caras para sua casa, toma um trago e vamos procurar um jeito de fazer paz. O mundo tá precisando de paz, não de guerra”, disse Lula.

A declaração ocorreu depois de uma conversa telefônica entre Trump e Putin. O contato entre os dois presidentes foi acompanhado com atenção no cenário internacional, principalmente diante das dificuldades envolvendo os conflitos e das tentativas de negociação diplomática.

A sugestão de Lula não ficou restrita ao discurso em Minas Gerais. O Palácio do Planalto também havia mencionado a iniciativa em uma nota oficial divulgada anteriormente. Segundo o comunicado, o presidente brasileiro lamentou a falta de resultados do Conselho de Segurança da ONU e defendeu a realização de uma reunião extraordinária do órgão.

A intenção seria buscar alternativas diplomáticas para as crises que continuam preocupando a comunidade internacional. Lula tem defendido, em diferentes ocasiões, que os países priorizem o diálogo e as negociações em vez de ampliar confrontos militares.

Assim, o discurso em Belo Horizonte acabou reunindo dois assuntos distintos: a disputa política em Minas Gerais e a preocupação do governo brasileiro com os conflitos internacionais. Enquanto a campanha de Patrus começa a ganhar forma no estado, Lula aproveitou a ocasião para reforçar também sua defesa por negociações e pela busca de acordos de paz.



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