O candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou que o vazamento de informações sigilosas pode acabar prejudicando a investigação que envolve Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A declaração ocorreu durante comentários de Haddad sobre as críticas feitas pelo advogado de Lulinha, Marco Aurélio Carvalho, a respeito da divulgação de informações relacionadas ao inquérito da Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência, acusações que são negadas pelos envolvidos.
Para Haddad, é importante que o caso siga os caminhos previstos pela Justiça. Na avaliação dele, qualquer irregularidade cometida durante uma investigação pode acabar criando problemas no futuro, principalmente quando informações protegidas por sigilo são divulgadas sem autorização.
“Se você quiser se valer da sua autoridade para quebrar um sigilo definido pela Justiça, você vai acabar incidindo num erro”, afirmou.
O advogado de Lulinha pediu que os vazamentos fossem investigados. Depois disso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou que a Polícia Federal apure de que maneira informações consideradas sigilosas chegaram ao conhecimento público.
Haddad entende que a preocupação não deve ser somente com os efeitos imediatos da divulgação. Segundo ele, uma eventual irregularidade pode ser usada posteriormente pela defesa para questionar partes do processo ou até mesmo a validade de determinados elementos da investigação.
“Você pode ter até dividendos políticos de curto prazo, mas não vai fazer justiça no médio e longo prazo”, declarou o petista.
O ex-ministro também defendeu que o governo federal mantenha distância das investigações. Para ele, ministros, delegados e demais autoridades envolvidas precisam ter liberdade para trabalhar e analisar as provas sem interferências políticas.
Na visão de Haddad, o resultado deve ser consequência do que for encontrado durante o processo. Isso significa que, havendo provas suficientes, a Justiça deve tomar as medidas cabíveis. Da mesma forma, se não forem encontradas provas contra os investigados, uma eventual absolvição também precisa ser respeitada.
“O que importa é fazer justiça. Doa a quem doer, seja qual for o resultado”, disse.
Entenda o caso envolvendo Lulinha
Fábio Luís Lula da Silva passou a ser citado em diferentes investigações autorizadas pelo STF desde o fim de julho. André Mendonça é relator de duas delas, enquanto o ministro Flávio Dino conduz uma terceira apuração.
O nome de Lulinha entrou no radar das autoridades depois que veio à tona uma relação dele com Roberta Luchsinger, empresária e lobista investigada no contexto da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de fraudes envolvendo benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O celular da empresária foi apreendido pela Polícia Federal em dezembro do ano passado. O conteúdo encontrado no aparelho passou a ser analisado pelos investigadores e acabou sendo utilizado como parte das apurações.
Relatórios e trechos de conversas divulgados recentemente indicaram uma possível interlocução entre Lulinha, Roberta Luchsinger e Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente Lula, conhecido como Marcola.
Os investigadores procuram entender se existia algum tipo de atuação conjunta para tentar influenciar decisões dentro do governo federal. Até o momento, porém, as suspeitas ainda são objeto de investigação e não representam uma conclusão definitiva sobre a participação dos citados.
Lulinha nega ter cometido qualquer irregularidade. Roberta Luchsinger e Marco Aurélio Santana Ribeiro também negam envolvimento em atos ilícitos.
O caso ganhou ainda mais repercussão justamente por causa da divulgação de informações que estavam sob sigilo. Agora, além de investigar as suspeitas originais, a Polícia Federal terá de descobrir como esses dados chegaram ao público. Para Haddad, preservar a legalidade do procedimento é essencial para que o resultado final tenha validade e seja aceito, qualquer que seja ele.