Números da AtlasIntel chamam atenção para preferência de ateus e agnósticos por Lula

Uma pesquisa nacional do instituto AtlasIntel, divulgada no fim de julho, mostrou uma diferença bastante grande nas intenções de voto para a Presidência da República quando os eleitores são separados de acordo com a religião. O levantamento, realizado antes do começo oficial da campanha eleitoral, aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com ampla vantagem entre as pessoas que se declaram ateias ou agnósticas. Já entre os evangélicos, quem lidera é o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo os números apresentados pela pesquisa, Lula concentra 81,5% das intenções de voto entre os eleitores ateus e agnósticos. O resultado chama atenção pela distância para os outros nomes colocados na disputa. Flávio Bolsonaro aparece nesse grupo com apenas 5,6%. Na sequência vem Renan Santos, do Missão, com 9% das intenções.

Outros candidatos também foram citados, mas com percentuais bem menores. Ronaldo Caiado (PSD) registrou 1,3%, enquanto Romeu Zema (Novo) ficou com 0,4%. Os números mostram, portanto, uma concentração muito forte do voto desse segmento em Lula, pelo menos dentro do cenário apresentado pelo levantamento.

A situação muda bastante quando o recorte passa para os eleitores evangélicos. Nesse grupo, Flávio Bolsonaro aparece na primeira colocação, com 55,9% das intenções de voto. Lula vem na segunda posição, com 22,9%. A diferença entre os dois candidatos é considerável e mostra como a religião declarada pelos entrevistados pode estar relacionada a comportamentos eleitorais diferentes.

Depois de Flávio e Lula, aparecem Renan Santos, com 10,3%, Ronaldo Caiado, com 6,3%, e Romeu Zema, com 3,7%. Embora sejam percentuais menores, o resultado ajuda a mostrar que o cenário eleitoral não é igual em todos os grupos da população.

A divisão observada na pesquisa também ganha importância por causa do momento político vivido pelo Brasil. Em 2026, a disputa presidencial vem sendo marcada por uma forte polarização e pela tentativa dos principais candidatos de ampliar suas bases eleitorais. Nesse contexto, segmentos religiosos acabam recebendo atenção especial dos partidos e das campanhas.

É importante lembrar que uma pesquisa eleitoral representa um retrato daquele período. Como o levantamento foi feito antes do início da campanha, novos acontecimentos, debates, alianças e até mesmo mudanças na percepção dos eleitores podem alterar os números ao longo dos próximos meses.

O levantamento do AtlasIntel foi realizado entre os dias 22 e 27 de julho e ouviu 5.021 pessoas. A margem de erro informada é de um ponto percentual para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08602/2026.

Os dados, portanto, não significam que todos os ateus e agnósticos votariam em Lula ou que todos os evangélicos escolheriam Flávio Bolsonaro. O que a pesquisa apresenta é a intenção declarada pelos entrevistados naquele momento. Ainda haverá bastante tempo para mudanças.

Mesmo assim, a diferença entre os dois grupos é um dos pontos que mais chamam atenção no levantamento. De um lado, Lula aparece com uma vantagem muito expressiva entre ateus e agnósticos. Do outro, Flávio Bolsonaro abre uma distância semelhante entre os evangélicos. Com a campanha eleitoral avançando, será interessante observar se essas diferenças permanecem ou se começam a diminuir conforme os candidatos apresentem suas propostas e busquem conquistar novos eleitores.



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