Presos por fraude, servidor do Detran e esposa recebem decisão da Justiça

Um casal apontado pela Polícia Civil como parte da liderança de um esquema de fraudes milionárias envolvendo o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) continua preso depois de ter mais um pedido de habeas corpus negado pela Justiça. Alexandre Macedo da Rosa, servidor do órgão, e sua esposa, Shana Rodrigues Macedo, se entregaram voluntariamente às autoridades no Rio Grande do Sul, em junho deste ano.

A defesa dos dois vem tentando reverter a prisão preventiva. No dia 7 de agosto, os advogados apresentaram mais um pedido de liberdade. Ao todo, já foram quatro habeas corpus analisados no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), incluindo um protocolado nesta quarta-feira (26), além de uma solicitação feita ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O advogado Bruno Seligman de Menezes afirma que Alexandre e Shana foram os únicos investigados a se apresentar espontaneamente. Na visão da defesa, esse comportamento mostra que não haveria intenção de fugir ou dificultar o trabalho das autoridades.

Outro argumento usado pelos advogados é relacionado ao prazo da prisão. A preventiva foi determinada em 30 de abril de 2026 e, segundo a defesa, os 90 dias para uma nova avaliação da necessidade da medida terminaram em 29 de julho. Os advogados alegam que não houve uma reavaliação dentro do período apontado.

A defesa também chama atenção para a situação funcional de Alexandre. O servidor está afastado do Detran-DF desde dezembro de 2023 e, conforme os advogados, teve as credenciais e o e-mail institucional desativados em março de 2025. Por isso, eles sustentam que ele não teria mais acesso aos sistemas usados nas fraudes.

A saúde mental do servidor também aparece entre os argumentos. Segundo a defesa, Alexandre é judicialmente interditado e existe um incidente de insanidade mental aberto por iniciativa do próprio Ministério Público. O procedimento, porém, ainda não foi concluído.

Os advogados também contestam a transferência do investigado para Brasília. Alexandre mora em Santiago, no Rio Grande do Sul, onde recebe ajuda frequente da irmã e do cunhado. A defesa entende que exames e avaliações poderiam ser realizados no próprio estado, evitando o recambiamento.

No caso de Shana, a defesa afirma que ela não teria participado diretamente das fraudes. A suspeita contra ela, segundo os advogados, estaria ligada principalmente a movimentações bancárias e ao possível papel financeiro dentro do grupo.

A investigação é conduzida pela 17ª Delegacia de Polícia, em Taguatinga Norte. Conforme a Polícia Civil, o grupo teria conseguido acessar de maneira irregular os sistemas do Detran-DF e realizado transferências fraudulentas de veículos.

Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi o uso da senha de uma servidora sem o conhecimento dela. Mais de 600 operações teriam sido realizadas usando a matrícula funcional da funcionária, inclusive em horários nos quais ela não estava trabalhando.

A investigação aponta ainda que despachantes procuravam clientes interessados nos serviços ilegais. Cada transação fraudulenta custaria aproximadamente R$ 2 mil. Segundo as apurações, parte dos valores era depositada na conta de Shana.

Depois que o acesso da servidora foi identificado e bloqueado, os investigadores afirmam que o grupo teria criado usuários “fantasmas”, sem ligação oficial com o Detran-DF, mas que possuíam autorização para inserir informações no sistema.

Além das transferências de veículos, a organização teria retirado irregularmente restrições administrativas e multas. O valor movimentado pelo esquema é estimado em cerca de R$ 1 milhão.

A operação policial teve uma nova etapa em 26 de maio, quando foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão, além de medidas para bloquear e sequestrar valores. As ações ocorreram em Brasília, Valparaíso de Goiás, Teresina e Santiago, com apoio das polícias civis do Piauí e do Rio Grande do Sul.

O Detran-DF informou que colaborou com a investigação fornecendo registros de acesso, informações técnicas e dados que ajudaram a identificar padrões considerados suspeitos. O órgão também disse que mantém medidas de segurança e revisão dos acessos aos sistemas internos.

Os investigados foram indiciados por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos em sistema de informações, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

A defesa, por outro lado, considera que manter o casal preso seria desnecessário e representaria uma espécie de antecipação da pena, já que a fase de instrução do processo ainda nem começou. O caso continua sendo analisado pela Justiça, e os demais envolvidos também deverão apresentar suas manifestações ao longo da investigação.



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