Durante entrevista, Lula detona a Globo e César Tralli rebate ao vivo: “Mentiroso”

Na noite desta quinta-feira (27), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi entrevistado por César Tralli e Renata Vasconcellos durante o Jornal Nacional. A conversa abordou diferentes assuntos políticos e, em determinado momento, chegou à situação de Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência Social que deixou o cargo após o escândalo envolvendo suspeitas de fraudes no INSS.

Lula foi questionado sobre declarações elogiosas que havia feito a Lupi, mesmo depois de o ex-ministro ter sido afastado da função. O presidente defendeu que é necessário separar a relação política da responsabilidade administrativa e afirmou que não considera correto antecipar uma condenação antes da conclusão das investigações.

“A relação política não tem nada a ver com a relação administrativa”, afirmou Lula. Segundo ele, seria diferente caso Lupi já tivesse sido acusado formalmente pela Polícia Federal e condenado pela Justiça. Como isso não teria acontecido, o presidente pediu que o caso fosse acompanhado até o fim das apurações.

A resposta, porém, acabou levando a entrevista para outro assunto. Lula passou a lembrar episódios relacionados à Operação Lava Jato e ao período em que foi impedido de disputar a eleição presidencial de 2018.

O presidente afirmou que foi vítima de uma grande mentira e voltou a criticar o ex-juiz Sergio Moro e o ex-procurador Deltan Dallagnol. Lula também reclamou da maneira como parte da imprensa brasileira tratou as acusações feitas contra ele durante aquele período.

Ao falar diretamente com Renata Vasconcellos, Lula disse que decidiu permanecer no Brasil e enfrentar a situação mesmo diante da possibilidade de ser preso. O presidente também afirmou que esperava, no futuro, um reconhecimento de que havia ocorrido um erro na cobertura dos acontecimentos.

Foi nesse ponto que Renata fez uma intervenção. A apresentadora afirmou que o jornalismo da Globo havia cumprido sua obrigação de informar os fatos durante a cobertura dos processos envolvendo Lula.

A discussão avançou para o famoso PowerPoint apresentado em uma entrevista coletiva do Ministério Público Federal em 2016. A apresentação mostrava Lula como o centro de um esquema de corrupção investigado pela Lava Jato e acabou se tornando um dos símbolos das acusações feitas contra o petista naquele período.

Lula voltou a classificar o material como mentiroso e disse que não esquece o episódio. A declaração provocou uma nova resposta dos entrevistadores.

César Tralli então lembrou que os princípios editoriais da Globo preveem correções e retratações quando necessário. O jornalista afirmou que a emissora já havia feito uma retratação relacionada ao episódio do PowerPoint e pediu que a entrevista continuasse.

A troca de argumentos chamou atenção justamente por acontecer durante uma entrevista ao vivo no principal telejornal da emissora. O momento também reacendeu nas redes sociais discussões antigas sobre a cobertura da Lava Jato, o papel da imprensa e a relação entre jornalismo e política.

Renata Vasconcellos, por sua vez, manteve durante a entrevista uma postura firme e bastante direta. Desde que assumiu a bancada do Jornal Nacional, em novembro de 2014, ela se tornou uma das principais referências do telejornalismo brasileiro.

Ao lado de William Bonner durante boa parte de sua trajetória no programa, Renata participou de coberturas marcantes da política nacional, eleições, crises institucionais e acontecimentos de grande repercussão.

Seu estilo é geralmente associado à serenidade e à objetividade. Mesmo em entrevistas mais tensas, a apresentadora costuma manter um tom controlado, deixando que as perguntas conduzam o debate.

A entrevista com Lula mostrou justamente esse perfil. Em alguns momentos houve discordâncias claras entre o presidente e os jornalistas, mas a conversa seguiu dentro do formato previsto para a sabatina.

O encontro também serviu para colocar novamente em evidência temas que continuam presentes no debate político brasileiro, principalmente as discussões sobre Lava Jato, imprensa e responsabilidade de autoridades públicas.



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