Os Estados Unidos abriram uma investigação para apurar um incidente envolvendo o helicóptero que transportava o presidente Donald Trump e um avião da Embraer. O episódio aconteceu no dia 4 de agosto e chamou a atenção das autoridades americanas por causa da proximidade entre as duas aeronaves durante o voo.
Segundo informações do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB), o helicóptero Marine One, utilizado pelo presidente americano, chegou a ficar a aproximadamente 3 quilômetros de uma aeronave Embraer E-70 operada pela Envoy Air. O avião fazia o voo 3742 quando os dois equipamentos estiveram em uma situação considerada de risco.
Apesar da distância relativamente curta, não houve colisão e ninguém ficou ferido. Passageiros e tripulantes do avião comercial seguiram viagem normalmente, enquanto o helicóptero presidencial também prosseguiu com sua operação.
O caso, no entanto, passou a ser analisado pelas autoridades de aviação. A NTSB comunicou o episódio ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão ligado à Força Aérea Brasileira (FAB), já que a aeronave envolvida é de projeto da Embraer, uma das principais fabricantes de aviões do mundo.
A apuração inicial aponta que um dos principais problemas pode ter ocorrido na comunicação do Marine One com o controle de tráfego aéreo. De acordo com o documento encaminhado ao Cenipa, o helicóptero que levava Trump tentou entrar em contato duas vezes com a torre, mas as transmissões não foram recebidas de forma adequada.
As gravações das comunicações entre as aeronaves e o controle de tráfego aéreo foram analisadas pelos responsáveis pela investigação. O material indica que a primeira tentativa de contato do Marine One com a torre do Aeroporto Nacional Ronald Reagan de Washington não chegou ao controlador. Já a segunda transmissão teria sido interrompida e ficou completamente ilegível.
O detalhe é importante porque, em operações envolvendo o presidente dos Estados Unidos, a comunicação entre as aeronaves e os controladores é considerada essencial. Qualquer falha pode aumentar o risco de situações de aproximação entre aeronaves, principalmente em regiões de tráfego intenso.
A investigação também verificou se existia algum problema na frequência utilizada pelos controladores naquele momento. Segundo a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), a frequência estava funcionando normalmente. Não foram identificadas interrupções conhecidas ou sinais de degradação no serviço naquele dia.
Também não havia, segundo a FAA, um histórico de problemas relacionados àquela frequência específica. Isso levou os técnicos a analisar outras possibilidades para explicar por que as mensagens enviadas pelo helicóptero não foram recebidas corretamente.
Uma análise realizada pela área de Engenharia de Espectro da FAA encontrou um possível fator. Os técnicos constataram que não existia uma linha de visada adequada entre o equipamento de rádio usado pelo Marine One e a região conhecida como “The Ellipse”.
Naquele período, o helicóptero presidencial estava operando temporariamente naquela área por causa de obras na Casa Branca. A mudança no local de operação pode ter interferido na comunicação com os equipamentos responsáveis pelo controle do tráfego aéreo.
Agora, as autoridades deverão avaliar todos os dados disponíveis para entender exatamente o que aconteceu. O episódio não provocou feridos, mas a proximidade entre o Marine One e o avião da Embraer mostra como pequenas falhas de comunicação podem gerar situações preocupantes mesmo em um sistema de aviação altamente controlado.