Lula critica imprensa durante sabatina da Globo e é rebatido por Renata Vasconcellos e César Tralli

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protagonizou um momento de forte tensão durante a sabatina realizada pela Globo com os apresentadores do Jornal Nacional, Renata Vasconcellos e César Tralli. Ao longo da entrevista, o chefe do Executivo voltou a falar sobre a cobertura da imprensa durante os processos da Operação Lava Jato e fez duras críticas ao jornalismo brasileiro.

A discussão começou quando Lula afirmou que teria sido vítima de uma das maiores mentiras já construídas no país. Segundo o presidente, a estratégia teria como objetivo impedir sua candidatura nas eleições de 2018, além de atingir setores importantes da economia brasileira, como a indústria de engenharia e a Petrobras.

“Eu sei o que é isso, Renata, porque eu já passei por isso. Você sabe, como jornalista, que eu fui vítima da maior mentira montada nesse país”, declarou Lula durante a sabatina.

Na sequência, o presidente relembrou o período em que esteve preso e afirmou que decidiu permanecer no Brasil para tentar provar sua versão dos fatos. Lula citou o ex-juiz Sergio Moro e o ex-procurador Deltan Dallagnol, responsáveis por importantes atuações na Lava Jato, e voltou a questionar a maneira como as informações envolvendo seu nome foram apresentadas naquele período.

“Eu poderia ter saído do Brasil, eu disse, ‘eu vou para a cadeia porque eu quero provar que o Moro é mentiroso, que o Dallagnol é mentiroso e quero provar que a imprensa um dia vai pedir desculpas’”, afirmou.

Lula também criticou veículos de comunicação por, segundo ele, terem comprado e divulgado informações que posteriormente foram questionadas. Para o presidente, faltou um reconhecimento mais amplo por parte da imprensa sobre os erros cometidos durante a cobertura dos casos envolvendo a Lava Jato.

A declaração provocou uma resposta direta de Renata Vasconcellos. A apresentadora defendeu a atuação jornalística da Globo e afirmou que o veículo cumpriu seu papel durante a cobertura dos acontecimentos.

“Candidato, o jornalismo da Globo cumpriu a sua obrigação de notificar os fatos durante essa cobertura”, respondeu Renata.

Lula, no entanto, manteve o tom crítico. Ele voltou a mencionar Moro e Dallagnol e afirmou que a imprensa teria ajudado a construir uma narrativa que prejudicou sua imagem pública.

“É difícil pedir desculpas. A imprensa brasileira sabe que ela produziu um monstro mentiroso chamado Moro e chamado Dallagnol. Eu não esqueço o PowerPoint mentiroso contra mim. Não esqueço”, declarou.

O episódio do PowerPoint citado por Lula remete a uma apresentação feita em 2016 pelo Ministério Público Federal durante uma entrevista coletiva. Na ocasião, uma imagem com diversas informações sobre o então ex-presidente foi utilizada para explicar a acusação apresentada pelos procuradores.

Diante da nova referência, César Tralli também decidiu intervir. O apresentador lembrou que os princípios editoriais da Globo orientam a emissora a corrigir informações quando necessário. Segundo ele, houve uma retratação relacionada ao episódio mencionado pelo presidente.

“Candidato, o senhor falou do PowerPoint, eu só quero dizer ao senhor, por favor, em relação a essa questão do PowerPoint, nossos princípios editoriais, nós fizemos a devida retratação sobre esse assunto”, afirmou Tralli.

Em seguida, o jornalista pediu que a entrevista prosseguisse. A situação chamou atenção justamente pelo confronto de versões entre Lula e os apresentadores, mostrando que o tema da cobertura da Lava Jato ainda provoca fortes reações políticas.

A sabatina também reforçou como a relação entre Lula e parte da imprensa continua marcada por críticas e desconfianças. Para o presidente, houve erros graves na cobertura de seu caso. Já os jornalistas defendem que o trabalho realizado pela emissora seguiu os critérios editoriais adotados na época.

O embate, portanto, acabou se tornando um dos momentos mais comentados da entrevista, colocando novamente no centro do debate a atuação da imprensa, a Lava Jato e os acontecimentos que marcaram a política brasileira nos últimos anos.



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