Com diplomacia estagnada, Trump volta a cogitar mudança de regime no Irã

Por que o povo iraniano não se levanta contra seus líderes?

Nos últimos meses, uma questão intrigante tem rondado a mente do presidente americano Donald Trump e sua equipe de segurança nacional: por que o povo iraniano não se levanta contra seus líderes? Essa dúvida parece ter se intensificado desde o início da guerra, quando Trump, influenciado pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, estava convencido de que manifestações massivas iriam eclodir em Teerã como resposta a uma série de ataques. Contudo, a realidade se mostrou bem diferente.

A expectativa de uma revolta popular

Logo que os conflitos começaram, Trump fez um apelo ao povo iraniano, sugerindo que essa poderia ser sua única chance em gerações de mudar o governo. Ele lançou um vídeo encorajador na noite do início da guerra, incentivando a população a agir. No entanto, essa ideia rapidamente foi colocada de lado ao se deparar com a necessidade imediata de negociar com o regime iraniano para reestabelecer o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o comércio global.

Em junho, Trump afirmou que nunca se importou com a mudança de regime no Irã e que estava negociando com “pessoas racionais”. Ao mesmo tempo, ele continuava a questionar por que seus apelos não eram atendidos, refletindo uma certa frustração. A situação tornou-se ainda mais complexa quando o tráfego pelo Estreito de Ormuz permaneceu abaixo dos níveis normais e as conversações diplomáticas com o Irã foram interrompidas.

Um padrão familiar na guerra

A atual dinâmica do conflito apresenta um padrão recorrente. Depois de um período de calmaria, os Estados Unidos e o Irã se envolveram em uma série de ataques mútuos. Trump, que não hesita em ameaçar a infraestrutura civil iraniana, indicou estar preparado para intensificar os ataques, afirmando que a situação atual era benéfica para os interesses dos EUA. Ele expressou satisfação com o controle quase total do Estreito de Ormuz e a deterioração da economia iraniana.

A relação com as eleições de meio de mandato

Enquanto isso, muitos dentro do círculo de Trump preferem que o conflito entre em segundo plano durante o período eleitoral, que está prestes a se intensificar. Apesar de Trump minimizar a influência das eleições de meio de mandato em suas decisões sobre o Irã, seus assessores alertam que a renovação do conflito poderia trazer complicações nas urnas.

Uma nova estratégia: provocar a ira interna

O governo Trump parece ter adotado uma nova estratégia: sufocar as finanças do Irã e provocar descontentamento entre a população. O objetivo é que os cidadãos, insatisfeitos com a situação, se voltem contra seus líderes. A inflação no Irã disparou e o valor da moeda local, o rial, desabou, levando a um aumento no custo de vida. Até mesmo o presidente iraniano reconheceu que a população está enfrentando dificuldades em meio a essa “guerra econômica”.

Por outro lado, as autoridades americanas não têm visto indícios de que protestos em grande escala estejam prestes a acontecer, mesmo com a situação econômica se deteriorando. Avaliações de inteligência indicam que as chances de uma mudança de regime através de protestos são baixas. A história nos mostra que décadas de sanções não conseguiram desestabilizar o regime iraniano como algumas administrações americanas esperavam.

A repressão das manifestações

Os protestos que ocorreram foram rapidamente reprimidos com violência, e muitos cidadãos se sentem desiludidos e assustados. Analistas apontam que a liderança iraniana está ciente dos objetivos de pressão econômica dos EUA e, portanto, mantém controle rigoroso sobre a população. Hamidreza Azizi, do International Crisis Group, destacou que os líderes iranianos veem essa pressão como parte de uma campanha mais ampla que pode culminar em agitação interna.

Reflexões finais

Apesar das incertezas, Trump não hesita em questionar por que os iranianos não estão se levantando. Em um momento de aparente honestidade, ele reconheceu que entende a situação difícil pela qual eles estão passando: “Eles estão sendo baleados agora mesmo.” Essa frase encapsula bem a complexidade do cenário: o desejo de mudança é muitas vezes ofuscado pelo medo e pela repressão. No fim das contas, essa luta interna no Irã é mais complicada do que os simples apelos de mudança de regime podem sugerir.



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