Suplemento de ervas vendido no TikTok é proibido no Brasil, alerta Anvisa

A Verdade Chocante Sobre o Suplemento de Ashwagandha e Seus Riscos

Nesta quarta-feira, dia 21, a Anvisa, que é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, soltou uma nota que pegou muita gente de surpresa. Ela reforçou a proibição de um suplemento que anda fazendo bastante sucesso, o de ashwagandha. Essa planta, que vem da Ásia, é famosa por suas promessas de relaxamento e alívio de sintomas, especialmente para aquelas que estão na perimenopausa.

A agência chamou atenção para um caso sério que aconteceu com uma mulher britânica, Lois Kinder, que tem apenas 44 anos. Segundo informações, ela começou a usar o suplemento antes de receber um diagnóstico de falência hepática. A Anvisa, por sua vez, destacou que o produto foi apelidado de “suplemento do TikTok”, já que é bastante promovido nessa rede social, com preços que variam entre R$20 e R$30.

O que diz a Anvisa?

De acordo com a Anvisa, o problema é que esse tipo de suplemento não possui registro no Brasil, o que significa que sua fabricação e venda estão totalmente proibidas. Os suplementos alimentares em geral podem ser uma alternativa para complementar a alimentação e ajudar quem precisa aumentar o consumo de certos nutrientes ou mesmo para pessoas que se exercitam bastante.

No entanto, a Anvisa frisa que é completamente errado fazer alegações de que esses produtos podem curar, tratar ou prevenir doenças. A decisão de usar um suplemento deve sempre ser feita por um profissional de saúde qualificado, que vai determinar o que, quando e como tomar.

O Caso de Lois Kinder

A história de Lois é realmente preocupante. Segundo relatos da família, tudo começou em 13 de julho deste ano, quando ela foi levada às pressas para um hospital em Warrington, na Inglaterra. Os médicos descobriram que ela estava enfrentando uma falência hepática aguda. Depois disso, Lois foi colocada em coma induzido e entrou na fila para receber um transplante de fígado.

Um doador apareceu no dia 22 de julho, mas durante a cirurgia, Lois sofreu três paradas cardíacas. Embora tenha sobrevivido, ela passou semanas em coma, e a família criou uma vaquinha no Go Fund Me para ajudar a custear os tratamentos. O marido dela, Ollie Kinder, compartilhou a dor que a família enfrentou.

“Os dias seguintes foram repletos de medo e incertezas. Ver a pessoa que você ama lutando pela vida é algo que nenhuma família deve passar. A ideia de perder minha esposa, e nossos filhos perderem a mãe com apenas 44 anos, era insuportável”, disse Ollie.

Complicações e Danos Cerebrais

Seis semanas depois, Lois começou a acordar e a fazer pequenos movimentos. Mas as complicações que ela sofreu causaram danos cerebrais significativos. A equipe médica afirmou que o caso dela é tão raro que pretendem publicá-lo como um estudo de caso.

O Dr. Orlando Maia, um neurocirurgião respeitado, explicou como a falência de um órgão, como o fígado, pode resultar em lesões neurológicas. O fígado tem um papel fundamental no metabolismo e na remoção de toxinas do corpo. Quando ele falha, essas toxinas se acumulam na corrente sanguínea, afetando o sistema nervoso central e podendo causar a encefalopatia hepática, que provoca alterações comportamentais e até perda de consciência.

No caso de Lois, a situação piorou durante o transplante de emergência, quando a gravidade do quadro favoreceu a formação de uma embolia pulmonar, levando às paradas cardíacas. O Dr. Maia destacou que a falta de oxigênio no cérebro durante esses momentos críticos pode causar danos permanentes, mas o cérebro tenta se reorganizar a partir das áreas que não foram afetadas.

O Caminho da Reabilitação

É importante ressaltar que a reabilitação para esse tipo de condição é intensa e exige fisioterapia diária. O processo pode levar até dois anos para que se entenda quais funções o organismo conseguirá recuperar. Isso é fundamental, pois movimentos voluntários após o coma são sinais de que ainda existem conexões neurológicas ativas.

Se você está pensando em usar suplementos como a ashwagandha, é fundamental buscar a orientação de profissionais de saúde e estar ciente dos riscos envolvidos. A saúde deve sempre vir em primeiro lugar.

A CNN Brasil está tentando entrar em contato com o TikTok, e a oportunidade para a plataforma se manifestar continua aberta.



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