Mais de 30 famílias relatam mortes de bebês atendidos em hospital de SP

Casos Alarmantes: Mortes de Crianças Levantam Suspeitas no Hospital Salvalus em São Paulo

Nos últimos tempos, a situação na Hospital e Maternidade Salvalus, localizado na Mooca, zona leste de São Paulo, tem despertado grande preocupação e indignação. Mais de 30 famílias relataram que, após serem atendidas na unidade, seus bebês e crianças faleceram. A assistente jurídica Eduarda Fragnan Gomes, que está acompanhando esses casos, revelou que a maioria das ocorrências remete a este ano. Desde que as primeiras denúncias vieram à tona, novos relatos de situações semelhantes têm sido trazidos à tona.

A Investigação em Andamento

Uma investigação da Polícia Civil está em curso, focando em seis mortes de crianças que ocorreram no hospital. Conforme a Secretaria da Segurança Pública (SSP), esses casos foram comunicados às autoridades no dia 21 de setembro e estão sendo apurados pelo 8º Distrito Policial, localizado no Brás. A investigação abrange a análise de prontuários médicos, além de ouvir profissionais de saúde e testemunhas para esclarecer os detalhes e as causas por trás das mortes.

Relatos de Famílias

Famílias que perderam seus filhos têm compartilhado relatos que aumentam as suspeitas sobre a qualidade do atendimento recebido. Um boletim de ocorrência revela que a mãe de um bebê ficou preocupada com a evolução do quadro clínico do filho após uma cirurgia. Segundo ela, após a administração de medicamentos à noite, a criança começou a apresentar movimentos repetitivos nas pernas. A mãe, alarmada, buscou ajuda, mas sentiu que não recebeu a atenção necessária.

Outro caso alarmante envolve uma criança que ficou internada por meses e que enfrentou problemas relacionados a um acesso venoso que evoluiu para necrose. A mãe expressou sua preocupação com a condução das intercorrências clínicas e relatou dificuldades em conseguir avaliação de um especialista vascular. Tragicamente, a criança faleceu em julho, e a certidão de óbito apontou causas como choque séptico e pneumonia.

Condições de Higiene e Monitoramento

As queixas sobre as condições de higiene e monitoramento durante as internações são recorrentes. Eduarda Fragnan Gomes mencionou que muitos familiares relataram ter visto profissionais de saúde manuseando os pacientes sem os devidos equipamentos de proteção, como luvas e máscaras. Além disso, houve reclamações sobre a falta de higienização adequada das mãos e a insuficiência no número de profissionais disponíveis para atender as crianças.

Algumas famílias até optaram por comprar seus próprios equipamentos para monitorar os sinais vitais dos filhos, pois consideravam o acompanhamento oferecido pelo hospital inadequado. Essa situação é alarmante e suscita dúvidas sobre a qualidade do atendimento prestado na unidade.

Posicionamento das Autoridades e do Hospital

Em resposta a essas alegações, a Secretaria da Segurança Pública destacou que a investigação está em andamento e que a polícia está tomando as medidas necessárias para esclarecer os casos. A nota oficial informou que os policiais estão ouvindo testemunhas e analisando todos os prontuários médicos para entender melhor as circunstâncias das mortes.

Por outro lado, o Hospital e Maternidade Salvalus emitiu uma declaração afirmando que leva os relatos a sério e que se compromete com a segurança dos pacientes. Eles ressaltaram que atendem a casos de alta complexidade e que as situações clínicas não podem ser atribuídas a uma única causa sem evidências concretas. Além disso, afirmaram que mais de mil crianças foram atendidas na unidade neste ano, com assistência individualizada e equipes especializadas.

Reflexão Final

Esses casos trágicos levantam questões importantes sobre a qualidade do atendimento em hospitais pediátricos e sobre a necessidade de garantir que as crianças recebam cuidados adequados e seguros. As famílias afetadas merecem respostas e justiça, e é vital que as investigações sejam conduzidas de forma rigorosa e transparente. Ao final, o que se espera é que situações como essas não voltem a ocorrer e que a segurança e a saúde das crianças sejam sempre prioridade.



Recomendamos