Caso Maíra Cardi reacende alerta: refrigerante pode aumentar risco de diabetes e obesidade

A discussão sobre o consumo de refrigerante ganhou força nas redes sociais nos últimos dias depois de uma polêmica envolvendo Maíra Cardi e o marido, Thiago Nigro. Entre os milhares de comentários, um chamou bastante atenção: “Imagine não poder comer nem beber algo que gosta dentro da própria casa”. A frase rapidamente viralizou e reacendeu um velho debate: afinal, tomar refrigerante faz tão mal assim? E a versão zero açúcar realmente é uma opção mais saudável?

Especialistas explicam que o maior problema do refrigerante tradicional está na enorme quantidade de açúcar presente na bebida. Segundo a nutricionista materno-infantil Luciana Nunes, uma única lata de 350 ml pode conter entre 35 e 40 gramas de açúcar. Para se ter uma ideia do tamanho desse número, isso equivale aproximadamente a sete sachês ou oito colheres de chá.

Essa quantidade representa boa parte do limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade orienta que o consumo de açúcares livres — aqueles adicionados aos alimentos, além dos presentes em mel, xaropes e sucos industrializados — não ultrapasse 10% das calorias ingeridas diariamente, o que corresponde, em média, a cerca de 50 gramas por dia para um adulto.

A nutricionista Taynara Abreu, do Hospital Mantevida, explica que a principal diferença entre o refrigerante comum e o zero está justamente na substituição do açúcar pelos adoçantes artificiais. Enquanto a versão tradicional utiliza sacarose ou xarope de glicose e frutose, o refrigerante zero costuma ser adoçado com substâncias como aspartame, sucralose, estévia, sacarina, ciclamato ou acessulfame de potássio.

Na prática, isso faz com que o refrigerante zero tenha poucas ou nenhuma caloria e provoque um impacto muito menor na glicemia. Por esse motivo, ele costuma ser indicado para pessoas que precisam controlar os níveis de açúcar no sangue, como pacientes com diabetes, ou para quem está tentando reduzir a ingestão de calorias durante um processo de emagrecimento.

Mesmo assim, os especialistas fazem um alerta importante. O fato de não conter açúcar não transforma o refrigerante zero em uma bebida saudável. Segundo a nutricionista Fabiana Ximenes, da Tivolly, entre as duas opções, a versão zero realmente é a escolha menos prejudicial. No entanto, ambas continuam sendo bebidas ultraprocessadas, com baixo valor nutricional e sem oferecer benefícios relevantes para a saúde.

Quem convive com diabetes ou suspeita da doença também deve ficar atento aos sinais que o organismo pode apresentar. Entre os sintomas mais comuns estão sede excessiva, vontade frequente de urinar, fome constante, visão embaçada, cansaço, irritabilidade, boca seca, dificuldade na cicatrização de feridas, formigamento nas mãos e nos pés, perda de peso sem explicação, infecções recorrentes, além do aparecimento de manchas escuras na pele. Ao perceber alguns desses sintomas, o mais indicado é procurar atendimento médico para realizar exames.

Outro ponto que vem chamando a atenção da comunidade científica envolve justamente os refrigerantes zero. Um estudo apresentado durante o Congresso Europeu UEG Week 2025 acompanhou mais de 123 mil participantes do banco de dados britânico UK Biobank por aproximadamente dez anos. Nenhum deles possuía histórico de doença hepática no início da pesquisa.

Os pesquisadores observaram que pessoas que consumiam regularmente bebidas adoçadas artificialmente apresentaram um aumento no risco de desenvolver problemas no fígado. De acordo com os resultados divulgados, quem ingeria cerca de 250 ml dessas bebidas por dia teve um risco maior de doença hepática quando comparado aos participantes que consumiam refrigerantes adoçados com açúcar.

Apesar dos resultados, os próprios pesquisadores destacam que novos estudos ainda são necessários para entender melhor essa associação. Mesmo assim, nutricionistas reforçam que a melhor forma de manter uma hidratação adequada continua sendo a água. Ela não possui açúcar, adoçantes, corantes nem conservantes e atende perfeitamente às necessidades do organismo.

No fim das contas, tanto o refrigerante tradicional quanto o zero devem ser consumidos apenas de maneira ocasional. Embora a versão sem açúcar seja uma alternativa menos prejudicial em alguns casos, nenhuma delas substitui hábitos alimentares equilibrados. Manter uma alimentação variada, rica em alimentos naturais e acompanhada de uma boa ingestão de água continua sendo a recomendação mais segura para preservar a saúde a longo prazo.



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